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Giovanna Riato, AB
O maior rigor para a liberação de crédito deve frear a produção de implementos rodoviários este ano. O alerta foi dado na última terça-feira, 19, pela Anfir, que reúne os fabricantes do setor. “A aprovação de financiamentos está mais seletiva. Temos muitos pedidos em carteira que podem não virar faturamento por falta de crédito”, conta Rafael Wolf Campos (foto), presidente da associação.
Se o cenário continuar o mesmo, a entidade projeta que a produção avance 5,3% este ano, para 184 mil unidades. O faturamento deve crescer 4,4%, para R$ 7,1 bilhões, e as exportações 11,9%, com 5 mil unidades. Apesar do crescimento, a entidade alerta que a produção de reboques e semirreboques vai desacelerar cerca de 5,5% em relação ao ano passado. “Esses equipamentos são os que mais dependem de financiamentos por terem maior valor agregado”, explica Campos.
Com mais facilidade para obter crédito a fabricação de implementos rodoviários poderia crescer até 9,1%, para 190 mil unidades, com R$ 7,9 bilhões de faturamento. Para a entidade, estes números só seriam alcançados se o Finame estivesse disponível com as mesmas condições de 2010.
Poconve P7 pode reduzir vendas
A Anfir enxerga a chegada do Proconve P7 como outro fator que pode reduzir o ritmo do setor. A entidade prevê que, se houver uma pré-compra de caminhões no segundo semestre deste ano, os clientes deixarão de adquirir implementos, já que os preços dos equipamentos continuarão iguais em 2012 enquanto o dos caminhões vai subir.
“Este fator é ruim para 2011 mas sabemos que é sazonal. Os clientes terão que investir em implementos no ano que vem”, pondera Campos. O dirigente alerta para um desafio maior: enfrentar o avanço das importações. Os volumes, segundo a entidade, ainda são pequenos mas devem crescer depois que o governo dispensou a exigência de certificação técnica dos equipamentos produzidos no exterior.
A preocupação da associação é com o médio e longo prazo. “Isso é inadmissível. Afinal, o que importa é a indústria nacional ou o comércio nacional?”, questiona Campos. Para ele, a falta de barreiras para produtos importados funciona como um “tiro no pé” de vários setores da indústria.
Vendas aquecidas
Enquanto a produção corre o risco de desacelerar, as vendas de implementos rodoviários seguem curva de expansão nos próximos anos, com os investimentos para a Copa e as Olimpíadas. No primeiro semestre de 2011 os emplacamentos avançaram 20,5%, com 90,9 mil unidades e alta de 9,6% nas vendas de reboques e semirreboques e de 26,4% nas de carrocerias sobre chassis.
Além dos eventos esportivos, o aumento das restrições para a circulação de caminhões em grandes cidades também impulsionou as vendas. “Há proibições em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e no Rio de Janeiro. A tendência é que isso avance em todo o Brasil”, espera Campos.
As exportações cresceram 5,4%, com 1,7 mil unidades entre janeiro e junho deste ano. A Anfir aponta que os produtos brasileiros são vendidos em mercados da América do Sul, África e Oriente Médio, onde as estradas têm condições parecidas com as nacionais.
Assista à entrevista exclusiva com Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir:
