Montadoras e concessionários dizem que a maior restrição à aprovação de novos financiamentos é uma das causas importantes da queda das vendas de veículos este ano, enquanto os bancos afirmam que esse movimento negativo da carteira é apenas reflexo da retração da demanda. Em evento sobre a economia brasileira organizado pela Câmara de Deputados em Brasília na terça-feira, 29, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, avaliou que não houve redução de empréstimos para compra de carros. “O volume total de financiamentos tem relação com a própria demanda. Os carros nos pátios não podem ser explicados unicamente pelo canal do crédito”, disse Trabuco, segundo publicou o jornal Valor Econômico.
A associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, negocia com o governo a criação de um fundo garantidor, uma espécie de seguro em caso de inadimplência, para dar aos bancos maior segurança na concessão de financiamentos. “Não queremos, necessariamente, que se amplie o prazo para compras financiadas. A ideia é debater a oferta de crédito em si e medidas que facilitem, por exemplo, a retomada do bem em caso de inadimplência”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan, em sua participação no V Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 28. Segundo o Valor, Trabuco confirmou essas negociações: “Há um diálogo entre o governo, os bancos e a Anfavea no sentido de criar condições para que o crédito seja mais acessível”, disse o executivo.
A inadimplência por certo não é a causa de rigor maior dos bancos, já que os atrasos de pagamentos superiores a 90 dias em financiamentos de veículos caíram 1,3 ponto nos últimos 12 meses, para 5% do valor dos contratos.
Outro fator que pode explicar a retração do crédito é a alta do custo dos financiamentos. Em março passado, a média dos juros cobrados para compra de veículos novos e usados era de 23,5% ao ano, uma elevação substancial de 3,8 pontos porcentuais em relação ao que era cobrado no mesmo mês de 2013. Como a inadimplência mostra viés de baixa, o que explica a puxada dos juros é o avanço da taxa básica pelo BC, que para combater a inflação já subiu a Selic de 7,25% em março do ano passado para 11% este mês.