No entanto, constatamos um inesperado aumento da participação nas vendas de veículos 1.0 naturalmente aspirados de baixo conteúdo nos últimos três meses, o que fez com que o ticket médio dos veículos caísse no período.
O varejo de veículos leves tem se mostrado desafiador para montadoras e concessionários porque, após começar 2019 com vendas refletindo crescimento anual acima de 10%, as vendas diárias estacionaram nos últimos cinco ao redor de 10.500, ou seja, 5% abaixo da média do último trimestre de 2018. Isso puxou as expectativas do fechamento do ano para 2,7 milhões de unidades, 2% a menos que as previsões iniciais dos principais agentes do mercado.
Acreditamos que os níveis atuais de vendas diretas apontando para 50% do mercado, as ações de General Motors e Hyundai para desovar mais facilmente um mix mais pobre dos seus veículos em fim de linha e a necessidade das montadoras de manter a utilização da capacidade instalada acima dos 70% explicam a aceleração da venda dos veículos de entrada.
Monitorar os próximos três meses parece ser recomendável, pois a diferença entre produção e venda de veículos (localmente produzidos e exportados) gerou um estoque de aproximadamente 100 mil unidades até agosto, o qual vai ter de ser reduzido com férias coletivas para a maioria das montadoras em dezembro.
Portanto, a necessidade de redução de estoques e de manutenção do uso da capacidade instalada aos níveis conseguidos no pós-crise desafiam as estratégias dos gestores da indústria em atender segmentos de maior valor agregado, maximizando o resultado do setor. Isso acontece porque preços maiores limitarão o tamanho potencial do mercado até que a economia dê sinais mais robustos de recuperação.
A venda de veículos de baixo conteúdo vai na contramão da estratégia das principais montadoras de melhorar resultados pelo aumento do valor adicionado.
Paulo Cardamone
CSO Bright Consulting