logo

conjuntura

Crescimento do PIB requer alta na produtividade

“O crescimento deverá ser em cima de produtividade, ou seja, produzir mais e fornecer a menor preço.” Dessa forma, o economista da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, resumiu em sua visão qual o caminho para o Brasil manter a taxa positiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Durante o IV Fórum da Indústria Automobilística, realizado na segunda-feira, 1º, em São Paulo, o economista explicou que o “efeito inclusão”, ou seja, a ampliação do número de cidadãos incluídos como consumidores, já está concluído. Para Mendonça de Barros, sem aumentar a produtividade, o resultado é importação ou produção mais cara.
Author image

Redação AB

01 abr 2013

2 minutos de leitura

G_noticia_16658.gif

-Confira aqui a cobertura completa do IV Fórum da Indústria Automobilística.

O cenário atual, na avaliação de Mendonça de Barros, traz dificuldades a essa mudança de produção. De acordo com o economista, há perda de qualidade regulatória, prejuízo nas empresas causado pela política cambial, prejuízo da Petrobras para seus acionistas e fornecedores, perdas associadas ao novo modelo elétrico, multas aplicadas pela receita e agências regulatórias e aumento de custos, especialmente da mão de obra.

INFLAÇÃO PREOCUPANTE

O sócio da MB Associados informou que já há aumento generalizado de preços. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilado por sua empresa, dos 365 itens medidos pelo instituto, 70% cresceram e 30% sofreram aumento de preços acima de 30%.

Para ele, a simples oferta de produtos, sem o aumento da qualidade na cadeia, não levará à expansão. “Apenas a alta do consumo não nos fará crescer mais”, afirma. Segundo o economista, o Brasil crescerá em 2013 (3%) e em 2014 (3,5%) muito sustentado nas ações de investimentos públicos, por causa das eleições e da Copa do Mundo.

Todavia, em paralelo a isso há risco na oferta de energia por conta da dependência do País em hidrologia. A escassez de chuvas teve como consequência reservatórios abaixo dos níveis esperados. E com as reservas técnicas já utilizadas a situação de fornecimento de energia é preocupante. Nesse ambiente de incerteza, o setor privado se mantém cauteloso e não está investindo.

No entanto, Mendonça de Barros identifica sinais de mudança de posição do governo no sentido de atrair investidores privados. A edição de editais de concessão de prestação de serviços públicos (aeroportos e rodovias, por exemplo) indica que a administração pública quer atrair o capital privado. No entanto, mudanças nas regras estabelecidas e baixas taxas de retorno diminuem o interesse das empresas em participar desses negócios.