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Crise (de culpa) atinge consumidor de superluxo

A empresa foi atingida em cheio pela crise. Fez plano de demissão voluntária, reduziu jornada de trabalho e salário, mas não teve jeito: passou a demitir para não quebrar.
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Redação AB

08 jun 2016

2 minutos de leitura

Esse quadro é muito comum no Brasil atual, com a cristalização da crise econômica e política e com o desemprego em alta. O que não é comum é o empresário viver o mesmo drama: muitas vezes a situação da empresa é desastrosa, mas as finanças pessoais dos sócios não são atingidas. A máxima “empresa pobre, empresário rico” é uma realidade nesses tempos de crise.

Prudentemente, o rico evita ostentar nesse momento; o empresário prefere não alardear as aquisições materiais e esse comportamento está afetando o mercado de carros de superluxo. O segmento onde estão marcas como Audi, Mercedes-Benz, BMW, Volvo, vai muito bem, com vendas em alta crescentes, mas as vendas de carros de mais de meio milhão de reais estão sofrendo as consequências da crise, não exatamente a crise financeira, mas a crise de consciência, ou simplesmente o medo de chegar na fábrica a bordo de um Lamborghini Aventador de R$ 3 milhões ou uma Ferrari 458 por R$ 2 milhões e ter que encarar os olhares dos demitidos na fila do departamento de recursos humanos.

“Obviamente a crise não atingiu os milionários, mas eles estão, digamos, recolhidos, porque o sujeito não pode aparecer com um carro superluxuoso zero quilômetro enquanto está fazendo demissões”, disse um consultor do mercado de luxo. “Tem muito potencial comprador envolvido na Lava Jato e, portanto, fora de circulação”, completa.

As vendas dos superluxuosos e dos superesportivo, na faixa do milhão de reais para cima, caíram exatamente pela metade no ano passado em relação a 2014 (de 146 para 73) e neste ano estão ainda mais baixas. Com exceção das marcas com maior volume de vendas no subsegmento, como Jaguar, Porsche e Lexus, as outras tiveram redução drástica de vendas. Em 2014, o total de venda da Maserati, Ferrrari, Rolls-Royce, Bentley, Infiniti, Lamborghini e Aston Martin foi de 146 unidades, ou 12 mensais. Em 2015 foram negociados apenas 73 carros (seis por mês). No primeiro trimestre deste ano foram apenas 13, ou quatro carros por mês.

VENDAS DE CARROS SUPERLUXUOSOS


Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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