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Giovanna Riato, AB
A Cummins vai aplicar US$ 90 milhões na construção de uma fábrica no município de Itatiba (SP), a 86 quilômetros da capital. O presidente da companhia para a América do Sul, Luís Afonso Pasquotto, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, assinaram memorando de entendimento sobre o investimento na terça-feira, 27.
O aporte integra um programa de US$ 200 milhões anunciado para o País. Além da planta, o pacote contempla a modernização da fábrica de Guarulhos, a área de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos de qualidade. “Os recursos são próprios e foram gerados pela operação da companhia na América do Sul”, revela Pasquotto.
Com inauguração prevista para março de 2014, a nova unidade abrigará a produção de grupos geradores e um centro de distribuição. Até 2015, algumas linhas de componentes também serão integradas ao complexo industrial. Na primeira etapa o empreendimento vai gerar 250 novos postos de trabalho. Esse número deve saltar para 700 na segunda fase da operação.
A construção da planta ampliará a capacidade produtiva da empresa no Brasil dos atuais 4 mil geradores de energia por ano para até 12 mil unidades anuais. “Já somos a segunda marca do segmento no mercado e queremos acompanhar a expansão da demanda nos próximos anos”, almeja o dirigente. Para ele, o aquecimento da economia e a expansão da classe média manterão o consumo de energia em nível elevado.
INVESTIMENTO CONTÍNUO
A terraplenagem da propriedade de 436 mil metros quadrados será feita ainda este ano para que a construção da fábrica comece em 2013. O projeto inicial prevê 50 mil metros quadrados de área construída. “Como o terreno é amplo, teremos espaço para ampliações futuras. Prevemos 20 anos de investimento contínuo na unidade”, explica o presidente da Cummins.
Com cerca de 100 mil habitantes, o município de Itatiba foi escolhido para abrigar a fábrica depois de quase um ano de pesquisa e da análise de mais de 75 terrenos. O processo foi feito em parceria com a Investe São Paulo, agência de promoção de investimentos e competitividade do governo do Estado.
A organização auxiliou na busca pela região adequada e terá papel importante também na etapa inicial de instalação da fábrica. A entidade trabalhará em conjunto com a companhia para obter as licenças ambientais do empreendimento e no contato com as concessionárias de transporte e energia da região.
Em julho do ano passado, pouco depois de a empresa ter iniciado o planejamento da fábrica, Pasquotto adiantou que pretendia instalar a nova unidade o mais perto possível da planta antiga (leia aqui). O executivo afirma que a decisão por Itatiba, que fica a cerca de 90 quilômetros de Guarulhos, também foi influenciada pela boa logística e tradição industrial da região. “Chegamos a pesquisar a construção em outros Estados, mas já temos a cadeia de fornecedores e uma grande quantidade de clientes aqui”, pondera.
MOTORES
A transferência de algumas linhas para a nova planta garantirá à fábrica de Guarulhos (SP) mais espaço para a fabricação de motores, unidade de negócio da empresa que também está em expansão. Pasquotto garante, no entanto, que a capacidade produtiva atual de cerca de 120 mil propulsores por ano é capaz de suprir a demanda dos clientes até 2015. O foco imediato é ganhar competitividade.
“Não vamos ampliar a capacidade agora. A intenção é investir em produtividade e tecnologia”, explica Pasquotto. A companhia aguarda o anuncio das próximas medidas do regime automotivo, prometido para abril. O plano do governo seria capaz de oferecer condições para que a empresa ampliasse as exportações, enfraquecidas com a desvantagem cambial.
O executivo afirma que os principais destinos dos produtos que a companhia fabrica localmente são os países da América Latina, principalmente a Argentina. O dirigente diz que a expectativa é grande. “Até agora foi tudo mais voltado à proteção do mercado. Esperamos redução de custos e desonerações.”
Assista à entrevista exclusiva com Luís Afonso Pasquotto, presidente da Cummins para a América do Sul:
