Ao contabilizar os números de 2010, a Cummins comemorou os melhores resultados de sua história de quase 40 anos no Brasil. A fabricante independente de motores diesel produziu, em sua fábrica de Guarulhos, SP, 96 mil unidades, o que representou expansão de 57% sobre 2009 e de 11,6% ante 2008 (ano do último recorde).
“Foi uma boa surpresa, pois no começo do ano tínhamos estimado entregar 82 mil motores”, diz Luis Afonso Pasquotto, vice-presidente da corporação para a América Latina.
Mas a marca recordista deve durar pouco, só até o fim deste ano, quando a empresa projeta vender 105 mil motores, segundo Pasquotto, que já estima para 2011 um mercado total de 217 mil caminhões e ônibus no Brasil, os maiores clientes da Cummins, responsáveis por garantir 80% das receitas.
O faturamento andou junto com o aumento da produção: cresceu 36,1% nas vendas somadas na América Latina, para US$ 1,3 bilhão, dos quais o Brasil sozinho contribuiu com 80%, ou cerca de US$ 1 bilhão. Com isso, o faturamento obtido nos países latino-americanos continua a aumentar sua participação no resultado global da Cummins: passou a responder por 10% da receita total de US$ 13,2 bilhões em 2010 – avanço de 23% ante o resultado de 2009.
Perspectivas
“Estamos muito animados com as perspectivas e esperamos crescimento em todos os nossos negócios”, avalia Pasquotto, revelando que até 2014 o objetivo mundial da Cummins é faturar US$ 20 bilhões por ano, dos quais a América Latina deverá contribuir com US$ 2,2 bilhões, com expansão média de 14% a 15% ao ano.
“O Brasil continuará a ser o maior mercado da região. Por isso estamos investindo muito em nossa unidade no País, tanto em ampliação da fábrica (foram aportados US$ 140 milhões nos últimos seis anos para atingir a atual capacidade de 113 mil motores/ano) e também para elevar o potencial de desenvolvimento local”, afirma o executivo, destacando que foram investidos R$ 4,5 milhões no novo laboratório de motores e filtros da empresa em Guarulhos.
Na avaliação de Pasquotto, quatro grandes tendências garantem a expansão dos negócios da Cummins nos próximos anos: a legislação de emissões, que exigirá produtos mais sofisticados; a maior demanda por energia e grupos geradores; os grandes investimentos em infraestrutura, com consequente aumento nas vendas de caminhões e maquinário; e o movimento de globalização com a ida de clientes para novos mercados e a chegada de novos clientes ao Brasil – exemplo disso é a Paccar, fabricante de caminhões que deve se instalar no País e no exterior já usa motores Cummins em alguns de seus modelos.
“O importante é que nos preparamos para atender todos esses fatores, com divisões de negócios prontas a oferecer pacotes completos”, diz.
Divisões de negócios
O principal impulso nas vendas vem do expressivo crescimento do mercado de caminhões no Brasil, onde a Cummins em 2010 aumentou as vendas de motores em 59%, acima da média de 52% de expansão do segmento. Assim a empresa liderou o fornecimento de propulsores para veículos acima de 3,5 toneladas, com participação de 37%, ou 1 ponto porcentual a mais em relação a 2009. “Aumentamos nossa fatia na MAN, passando a fornecer motores para modelos Volkswagen leves e semipesados”, explica Luis Chain Faraj, gerente executivo de vendas e marketing.
A maior expansão porcentual foi registrada no fornecimento de motores para veículos pesados (88%) – neste segmento a Cummins fornece inclusive para o caminhão 9800 da International feito em Caxias do Sul (RS), marca que pertence ao mesmo controlador de seu maior concorrente no Brasil, a MWM International. O segundo maior crescimento veio das vendas para caminhões leves (69%) e em terceiro para os semipesados (57%). Os maiores clientes no segmento são a Ford, que equipa 100% de seus caminhões com motores Cummins, e a MAN.
Pasquotto também destacou que os outros segmentos compradores de motores (marítimo, máquinas agrícolas e de construção e mineração, além de geração de energia) também apresentaram crescimento expressivo em 2010 e, assim como o mercado de caminhões, apresentam perspectivas alentadoras para os próximos anos, ajudando a sustentar a projeção de expansão de 10% na produção da Cummins em 2011.
A divisão de componentes igualmente se aproveita da expansão do mercado brasileiro. A produção de turbocompressores cresceu 25% em 2010 e as vendas avançaram 15%, com fornecimento, além da própria Cummins, para a Volvo e FPT (fabricante de motores do Grupo Fiat que equipam os veículos da Iveco). O negócio de filtros teve faturamento recorde, de US$ 75 milhões, com fornecimento direto para Ford, Bosch, Iveco, Volvo, Scania e CNH.
Nova divisão
Para 2012 os negócios da Cummins no Brasil serão incrementados com mais uma divisão de negócios, a Emission Solutions, que irá fornecer todo o sistema de controle de emissões SCR para os novos motores Euro 5. Inicialmente o único cliente da divisão é a própria fábrica de motores da Cummins, mas está nos planos da unidade o fornecimento para outros clientes.
Segundo Maurício Rossi, diretor da nova divisão na região, a operação começa efetivamente a partir do meio deste ano, com a distribuição dos primeiros componentes, para assegurar o abastecido na virada para 2012, quando entram em vigor os limites de emissão do Proconve P7 (equivalente à Euro 5). A unidade irá fornecer o sistema catalítico SCR completo, com fabricação local e cerca de 80% de índice de nacionalização, e também a solução de ureia Arla 32 usada no pós-tratamento dos gases, inicialmente importada dos Estados Unidos. “Mas logo começaremos a comprar o Arla 32 de um fornecedor local. Já estamos desenvolvendo isso”, afirma Rossi.
O diretor estima que, a partir do segundo ano de operação, a divisão deverá representar de 10% a 15% das vendas da Cummins na América Latina, algo como US$ 100 milhões a US$ 150 milhões de faturamento por ano.
Assista à entrevista exclusiva que Luis Afonso Pasquotto, vice-presidente da Cummins para a América Latina, concedeu à Automotive Business web TV: