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Giovanna Riato, AB
A Cummins toma fôlego para 2012, quando entra em vigor a legislação Conama P7, ou Euro 5, para veículos comerciais. Apesar do fiasco que o setor enfrentou na última tentativa de apertar a lei de emissões de caminhões, em 2009, quando foi cancelado o Euro 4 no País, o vice-presidente da empresa para a América Latina, Luis Afonso Pasquotto, está seguro de que a nova norma será implementada no início de 2012.
“Pode ser que eu quebre a cara mas não vejo a possibilidade de um novo adiamento. Estou seguro de que começaremos em 2012”, aposta. Para ele, há pressão demais sobre o setor para que ocorra mais um cancelamento.
Ainda não está claro como será a disponibilidade do diesel de 10 ppm de NOX e do Arla 32, aditivo a base de ureia usado na proporção de um litro para cada 20 litros de combustível. Já admitindo a possibilidade de que inicialmente a distribuição do combustível menos poluente fique concentrada apenas nas capitais, a Cummins optou por utilizar o sistema SCR, que oferece maior resistência a possíveis abastecimentos com diesel de até 500 ppm.
“Tentamos minimizar ao máximo os danos que o diesel incorreto pode causar ao motor e à operação por isso optamos por este sistema, que é mais robusto”, explica Pasquotto. Apesar de a companhia ter importado a tecnologia para atender à legislação, o processo de adaptação para o mercado nacional exigiu cerca de três anos, entre testes e alterações.
Segundo o executivo, a tendência é que esse tempo diminua nas próximas mudanças de legislação. Alguns dos desafios foram adaptar o motor para trabalhar com diesel de qualidade inferior ao utilizado na Europa e rodar em outro tipo de geografia, já que o Brasil tem terrenos mais acidentados.
Renovação de frota
Pasquotto defende que oferecer veículos menos poluentes é importante mas alerta que não é aí que está o verdadeiro nó do setor de pesados. “O Euro 5 é como pingar uma gota de água destilada em um balde de água suja”, compara. Na visão dele, a solução mais efetiva seria ampliar a renovação da frota.
As dificuldades para estimular a substituição de caminhões não devem ser menores do que os problemas que o setor enfrenta para implementar uma nova legislação. O vice-presidente da Cummins afirma que os transportadores independentes, que têm veículos mais antigos e são o principal foco da renovação, dificilmente conseguem aprovação de crédito, mesmo em linhas de financiamento destinadas ao setor.
Outro problema está na capacidade das empresas que produzem veículos pesados. Já pressionadas para atender os pedidos do mercado aquecido, as fabricantes teriam dificuldade em absorver uma nova demanda.
Assista à entrevista exclusiva que Luis Afonso Pasquotto, vice-presidente da Cummins para a América Latina, concedeu à Automotive Business web TV:
