
A Daimler registrou lucro 78% menor no primeiro semestre de 2019 quando comparado com mesmo período do ano passado. Segundo balanço financeiro divulgado na quarta-feira, 24, o resultado passou de € 4,17 bilhões em 2018 para € 907 milhões este ano, afetado por altos custos excepcionais, incluindo € 1,56 bilhão só no segundo trimestre para custear gastos relacionados aos recalls de airbags defeituosos fornecidos pela Takata e com as fiscalizações que a empresa vem enfrentando sobre as emissões excessivas de modelos Mercedes-Benz movidos a diesel.
Com isso, a companhia informou que uma das suas prioridades para o segundo semestre será intensificar os cortes e fazer uma revisão geral da programação de seus produtos.“Estamos intensificando os programas de desempenho em todo o grupo e revisando o portfólio de produtos para garantir o sucesso futuro”, disse o CEO, Ola Kallenius.
No início deste mês, a empresa dona da Mercedes-Benz aumentou as provisões para € 4,2 bilhões a fim de cobrir tanto os recalls quanto à multas regulatórias de emissões a diesel, cujas investigações estão em andamento na Alemanha e nos Estados Unidos.
Soma-se a isso o momento global do setor, com a desaceleração do crescimento das vendas de veículos nos Estados Unidos e na China, o fraco desempenho do mercado na Europa, além dos pesados investimentos que indústria vem fazendo em veículos elétricos e autônomos, algumas para lidar diretamente com as fortes exigências de reduzir as emissões.
A pressão aumenta na análise dos números financeiros: embora o faturamento do grupo tenha registrado aumento de 2% na primeira metade do ano, para € 82,3 bilhões, as vendas globais diminuíram 3%, com a entrega de pouco mais de 1,59 milhões de unidades, entre leves e pesados. A divisão de pesados foi quem salvou o volume total, com alta em todos os segmentos: caminhões (+2%), ônibus (+5%) e vans (+2%). A divisão de automóveis da Mercedes-Benz reportou queda de 5% das vendas em todo o mundo.
O Ebit caiu na mesma proporção do lucro líquido, na ordem de 79%, passando de € 5,97 bilhões em 2018 para € 1,24 bilhão neste ano, sempre considerando o primeiro semestre. O lucro por ação caiu de € 3,74 para € 0,72 na mesma base de comparação.
A liquidez do Grupo Daimler recuou 54% no primeiro semestre e fechou em € 6,61 bilhões. O fluxo de caixa fechou no negativo de € 3,34 bilhões. Há um ano o caixa fechou no azul com € 1,80 bi.
Em suas perspectivas, a companhia já havia adiantado no início deste mês que seu Ebit seria significativamente menor em 2019 sobre o exercício anterior sem mencionar índices ou valores e que a receita seria ligeiramente superior graças a uma estimativa melhor de vendas para o segundo semestre, puxadas principalmente pelas maiores vendas de caminhões e ônibus.