
A Horizon é um modelo custom, voltado ao uso predominante em estrada. Ela se enquadra naquilo que a Dafra chama de estilo de vida: “Tem motociclista que começa a planejar o passeio do fim de semana já na quarta-feira. Alguns compram a moto, deixam na casa de amigos e nem contam para as esposas”, afirma o vice-presidente da companhia, Francisco Stefanelli.
De acordo com dados apresentados pela Dafra, 55% do segmento custom é formado por motos com cilindrada entre 125 e 150 centímetros cúbicos e 38% por modelos acima de 500 cc. “A faixa de cilindrada entre 200 e 350 cc tem apenas 7% do total pela falta de opções no mercado”, afirma o diretor de engenharia, Victor Trisotto. Ele tem razão, pois a única custom no Brasil com porte semelhante é a Kasinski Mirage 250 (R$ 13.990), cujos componentes são fornecidos pela também sul-coreana Hyosung.
Apesar dessa brecha no mercado, a previsão de vendas da Dafra para seu novo modelo é bastante modesta, entre 40 e 60 unidades mensais. “Se a demanda for muito maior do que isso não teremos motos para entregar”, afirma Trisotto. Como comparação, o modelo concorrente teve média mensal de emplacamentos de 118 unidades em 2012, um ano ruim. Tomando por base o ano de 2011 (o melhor para o mercado brasileiro de duas rodas), essa média mensal foi de 178 Kasinski Mirage 250.
Para cumprir o Processo Produtivo Básico (PPB) exigido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a Dafra Horizon tem uma pequena quantidade de itens nacionais, como juntas de motor e cabos de comando, por exemplo: “Em relação a seu custo, ela tem entre 15% e 20% de conteúdo local”, afirma Trisotto.
Segundo a Dafra, com as primeiras unidades enviadas à rede foi enviado também um kit de peças básicas e o centro de distribuição já está abastecido para a moto. Essas instalações ficam em Itajaí (SC). De acordo com a fabricante, o local tem 11 mil metros quadrados, emprega 45 funcionários e estoca 1,6 milhão de peças, que superam os R$ 10 milhões. Dali partem 4 mil itens todo o mês.
Numa cesta de peças de reposição formada por 14 itens, que vão de retrovisores a kit de transmissão (coroa, corrente e pinhão), os preços praticados pela Dafra estarão abaixo da metade dos mesmos itens da concorrente Kasinski. A Dafra garante preços de revisão predeterminados. A moto tem garantia de um ano.

Motor monocilíndrico da Horizon produz 23,1 cv. Velocímetro e hodômetros estão em um copo central. Marcador de gasolina fica sobre o tanque. Lanterna traseira usa LEDs em vez de lâmpada comum. Freio dianteiro tem dois discos (fotos: Mário Curcio e Dafra/divulgação)
DAFRA MONTA EM MANAUS MOTOS DE DEZ FABRICANTES
Quando entrou no mercado, em 2008, a Dafra dependia apenas de fornecedores chineses e fabricava modelos entre 100 e 150 cc. Hoje, seus produtos começam em 50 cc e são montados a partir de quatro fornecedores chineses (Lifan, Zongshen, Haojue e Jianshe), um indiano (TVS), um taiwanês (SYM) e um sul-coreano (Daelim). Dentro da Dafra também são nacionalizadas motocicletas BMW, Ducati e MV Agusta. Desta última, a Dafra detém o direito de comercialização.
ADEQUADA AO MERCADO BRASILEIRO
A nova custom da Dafra utiliza como base a Daelim Daystar 250, que recebeu algumas modificações para tornar-se Horizon no mercado brasileiro. O maior número de componentes cromados é um exemplo. O motor da motocicleta tem um cilindro, quatro válvulas, injeção eletrônica e refrigeração a líquido. É semelhante ao da Roadwin 250, também fornecida pela Daelim, mas passou por mudanças técnicas para ter mais força em rotações baixas, como pedem motos custom. O torque passou de 1,97 para 2,21 kgf.m. A potência é de 23,1 cv.
Automotive Business pilotou a motocicleta em um pequeno percurso de dez quilômetros de asfalto bom, mas pista sinuosa. Um ponto negativo é a vibração do motor em acelerações e retomadas de velocidade. Andando a 120 km/h constantes esse incômodo é menor.
A moto tem comportamento adequado em curvas e boa posição de pilotagem. O câmbio de cinco marchas tem engates fáceis e os freios a disco (dois dianteiros e um traseiro) são bem eficientes. Segundo o diretor de engenharia, a nova Dafra alcança 126,5 km/h.
Por causa do assento baixo, com 72,5 centímetros, até pilotos com menos de 1,65 metro terão facilidade de lidar com os 163,4 quilos da Horizon.