
A Dassault – que promoveu o 3D Experience Forum Latin America na quinta-feira, 29, em São Paulo – não revela resultados na indústria automobilística, mas aponta em seu relatório anual (veja aqui) que o faturamento global em 2013 foi de € 2,07 bilhões, em leve alta sobre os € 2,02 bilhões de 2012. O setor automotivo foi seu principal negócio, como mostra o documento, com participação de 29% no faturamento, à frente, por exemplo, da indústria aeroespacial, pioneira na utilização de softwares de desenvolvimento de produtos.
Atualmente, dos mais 190 mil clientes da Dassault no mundo (de 12 segmentos industriais diferentes, de moda ao automotivo), 19 mil estão na América Latina. A empresa atende na região boa parte dos fabricantes de veículos leves como BMW, Ford, Toyota, Honda, Renault, Jaguar Land Rover, PSA Peugeot Citroën e Volkswagen. Também vende sistemas para fabricantes de pesados, como Iveco, MAN Latin America, Scania e Volvo. E fornece ainda para fornecedores como Bosch, Continental, Eaton, Faurecia, Valeo, Mahle e Webasto, além de empresas de engenharia e design, como a italiana Pininfarina e a JL, que constrói veículos da Stock Car. Segundo Emerson Fittipaldi, bicampeão na Fórmula 1, que esteve no fórum, a maioria das equipes que participam do campeonato usam programas Dassault, como o popular Catia.
Para Bruno Latchague, vice-presidente executivo sênior da DS, o diferencial dos programas da empresa francesa está na possibilidade de interação com os usuários. “Nenhuma de nossas principais concorrentes, PTC, Siemens ou Autodesk, oferece a experiência completa de interação entre o produto e o cliente como a plataforma 3D Experience da Dassault. Eles trabalham muito mais com engenharia e manufatura digitais, com pedaços de softwares. Não estão aptos a entregar soluções completas de negócios que se aproximam de experiências reais”, alega.
AVANÇO MAIOR
Desde janeiro, a Dassault Systèmes oferece a clientes de todo mundo a possibilidade de migrar projetos para as nuvens (leia aqui). Isso significa que a plataforma 3D Experience da DS agora pode ser acessada também por meio da “computação na nuvem”, com reduções significativas de tempo e custo e acesso em qualquer lugar do mundo, em modo privado ou compartilhado, com as mesmas funcionalidades dos programas tradicionais para criar, desenvolver, selecionar fornecedores, calcular custos, manufaturar, além de simular o comportamento de um veículo em três dimensões.
Contudo, desde janeiro até agora nenhuma empresa do setor automotivo, entre as centenas de clientes da DS, lançou mão deste recurso no Brasil. Igor Schiewig, diretor de estratégias e desenvolvimento de negócios da Dassault na América Latina, explica que a indústria automotiva ainda é muito tradicional. “Ela se preocupa muito mais em ser eficiente do que inovadora, depende de fatores sazonais para tomar suas decisões”, apontou.
Segundo o executivo, nenhum novo negócio foi gerado no País para acesso aos programas por meio da “computação na nuvem”, mas houve aumento de demanda por programas “on premise” (no modo tradicional de armazenamento) impulsionada especificamente para atender ao Inovar-Auto.
“Temos perspectivas positivas em uma segunda fase do Inovar-Auto. A nossa grande aposta é de que a legislação seja o primeiro passo para que o Brasil deixe de ser um País ‘tropicalizador’ de produtos e passe a montar equipes criativas, de desenvolvimento de plataformas de veículos. Apenas algumas montadoras têm hoje times locais para desenvolvimentos globais. Isso significa que a Dassault tem grande potencial para crescer ainda mais”, conclui.