
“O Brasil superou a crise com maior facilidade que a maioria dos seus competidores no setor automotivo. O vigor do mercado deve atrair interesse crescente, como já demonstraram os investimentos anunciados recentemente” — afirmou o executivo.
O inglês impecável e a longa experiência na área de tecnologia o credenciam como um porta-voz de primeira linha para a empresa e a entidade dos engenheiros automotivos. No dia 29 de março, em São Paulo, ele fez uma pequena apresentação no encerramento do simpósio Novas Tecnologias Automotivas, promovido pela SAE Brasil, e recebeu a imprensa. O executivo declarou aos jornalistas que o Brasil deve explorar intensivamente o desenvolvimento de veículos pequenos, valorizados em todas as partes do mundo, e trabalhar na evolução do sistema flex.
Brown disse a Automotive Business que o flex ganhou importância fundamental no combate às emissões e permite equacionar de forma bastante satisfatória as oscilações nos preços e na oferta de gasolina e etanol. Ele admite que outros mercados avaliam a solução brasileira com interesse, mas haverá soluções próprias para cada região atender as novas pressões da legislação de emissões. Na Ásia, Europa e Estados Unidos os biocombustíveis avançam, embora o foco esteja nos híbridos e elétricos.
Tendências na indústria? São claras e apontam para o que a Delphi define, em três palavras, como pressupostos no desenvolvimento de novas tecnologias: green, safe, conected. “É preciso pensar em sistemas amigáveis ao meio ambiente, que traduzam maior segurança e permitam a conexão entre pessoas, veículos e sistemas de informação em qualquer parte do planeta” — esclarece o executivo.
Brown está seguro de que a indústria automobilística saberá responder aos desafios da mobilidade urbana recorrendo cada vez mais à eletrônica. Em um futuro próximo será comum o condutor literalmente conversar com o veículo para personalizar os sistemas a bordo, fazer diagnóstico do funcionamento do carro e obter informações do ambiente externo com um alto grau de conectividade.
O especialista explica que os carros, providos de sistemas de segurança eficientes, vão interagir na corrente de tráfego, evitar colisões e encontrar o caminho mais rápido. Com ou sem condutores, os veículos de transporte pessoal continuarão existindo no futuro, convivendo com as metrópoles para conduzir os passageiros ao destino final ou a estações de transporte de massa.
Expansão
Gábor Deák, presidente da Delphi para a América do Sul, disse à jornalista Stella Fontes, do Valor Econômico, que a empresa deve aplicar este ano US$ 40 milhões na região, onde o Brasil responde pela maioria dos negócios. O País tornou-se um polo importante com o desenvolvimento do flex, mas o executivo alertou que não há iniciativas para exportar a tecnologia.
Gábor afirmou, ainda, que a receita da empresa na América do Sul somou US$ 1,03 bilhão em 2009. Este ano o avanço deve ficar entre 5% e 10%, dependendo do andamento do mercado automotivo. O Brasil tem 11 unidades da Delphi. A Argentina, uma.
A fábrica de chicotes de Conceição dos Ouros, MG, foi inaugurada em fevereiro e há projetos para novas plantas e produtos. Está em pauta, ainda, a expansão dos negócios de compressores de ar condicionado variáveis, concentrados em Jaguariuna, SP.
Foto: Andrew Andrew , diretor mundial de tecnologia da Delphi/divulgação