Durante a Automec (feira dos fabricantes de autopeças que acontece em São Paulo, no Anhembi, de 16 a 20 de abril), Corrallo destacou que a Delphi tem no mundo todo US$ 70 bilhões em novos negócios fechados no horizonte de quatro a cinco anos, dos quais US$ 26 bilhões foram conquistados no ano passado. O Brasil representa cerca de 10% desse montante e igual porcentual do faturamento global de US$ 15 bilhões, com tendência de aumentar essa fatia com as novas oportunidades abertas pelo Inovar-Auto.
“Existem muitas novas montadoras chegando ao Brasil, mas infelizmente a produção de autopeças não cresce no mesmo ritmo, por causa da nossa perda de competitividade com a elevação de custos de mão de obra, logística e outros. Com as desonerações de impostos e a política trazida pelo Inovar-Auto acreditamos que essa situação deve mudar com aumento de investimentos da cadeia de suprimentos”, disse Corrallo. “O conteúdo tecnológico nos veículos vendidos no Brasil está aumentando, teremos airbags e freios com ABS em toda a frota vendida a partir de 2014, contra algo como 50% agora. Ar-condicionado só existia em menos de 50% dos carros, hoje esse porcentual já está em 75% e deve ir a 80% até o fim deste ano. Temos de ser competitivos para oferecer tudo isso”, completa.
O executivo relata que a empresa já está se preparando para aproveitar as oportunidades trazidas pelo aumento de conteúdo tecnológico. A Delphi tem três centros de desenvolvimento tecnológico no País e inaugurou aqui o primeiro laboratório de arquitetura eletroeletrônica. Entre os possíveis novos produtos a serem introduzidos em breve no mercado pela sistemista está o chicote com cabos de alumínio, que pesa 40% menos que o cobre e contribui para cortar o peso dos veículos, reduzindo também o consumo de combustível – uma das metas explícitas do Inovar-Auto. Corrallo aposta que até o ano que vem clientes no Brasil já estarão usando os chicotes de alumínio.
Outro elemento que casa com as exigências de redução de peso e consumo do regime automotivo é o novo compressor variável de ar-condicionado, desenvolvido pela engenharia da Delphi no Brasil, que deve começar a ser fabricado em Jaguariúna (SP) até o fim deste ano. “Ele é meio quilo mais leve que o anterior e foi projetado para ser usado até em carros de entrada, com melhor capacidade de climatização da cabine”, informa Corrallo.
O sistema de injeção flex com pré-aquecimento, que elimina o tanquinho de gasolina para partida a frio, já é fabricado pela Delphi no Brasil e exportado para voltar ao País nos carros da chinesa JAC. Mas Corrallo diz que já existe um cliente nacional também para o produto, que deve começar a ser fornecido em breve.
“Podemos fazer muita coisa aqui, mas o desafio é nacionalizar com competitividade, pois não vamos conseguir vender por qualquer preço”, resume o executivo.