
|
|||||||||||||||||||||||||||
Foto: Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir.
Giovanna Riato, AB
As vendas de implementos rodoviários caíram 3,2% no primeiro bimestre de 2012 sobre o mesmo período do ano passado, para 25,7 mil unidades. O dado foi divulgado pela Anfir, associação dos fabricantes do setor, na quinta-feira, 8. A desaceleração foi mais acentuada no segmento de reboques e semirreboques, que registrou retração de 5,2%, com 7,3 mil equipamentos comercializados.
-Clique aqui para fazer download dos dados da Anfir
As vendas da linha leve, de carrocerias sobre chassis, esfriaram 2,4% no acumulado de janeiro a fevereiro, para 18,3 mil implementos. A entidade que representa o setor avalia que os resultados negativos do início do ano são reflexo das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para abrandar o crescimento da economia, que ainda impactam o mercado. “A redução da taxa de juros pode minimizar essa queda, mas não vai resolver”, Rafael Wolf Campos, presidente da organização.
Segundo ele, a maior dificuldade do setor está na restrição ao crédito do BNDES/Finame. Desde o ano passado a linha financia apenas 70% do equipamento. “Isso compromete o fluxo de caixa das empresas e diminui a capacidade de o cliente investir”, argumenta. O dirigente afirma que a mudança do porcentual financiado é parte da estratégia do banco para reduzir a participação dos bens de capital no total negociado. A intenção é transferir o crédito para equipamentos para instituições privadas.
Outro fator que impactou o volume de negócios foi o início do Proconve P7, nova legislação de emissões para veículos comerciais, que entrou em vigor em janeiro. Como os caminhões e ônibus novos são mais caros, muitos clientes anteciparam as compras para o fim de 2011. Com isso, o investimento em implementos foi protelado. “Tivemos um ano excepcional em 2011, com crescimento de 12% e 190,8 mil unidades comercializadas. A partir do fim do ano, no entanto, vimos as vendas caírem”, explica.
EXPORTAÇÕES
Enquanto o mercado interno começou o ano em queda, as exportações de implementos rodoviários avançaram 21% no primeiro bimestre, para 408 unidades. Apesar de expressivo, o avanço é apenas mais um passo para a recuperação. “Já chegamos a exportar 8 mil equipamentos por ano. Hoje estamos muito distantes deste volume”, lembra Campos. Os principais destinos dos implementos produzidos no Brasil são os vizinhos da América Latina e os países da África.
EXPECTATIVAS PARA 2012
Depois de um bimestre de atividades a Anfir definiu dois possíveis cenários para este ano. O primeiro foi desenhado de acordo com a situação atual. Sem o anúncio de nenhuma medida favorável ao setor a produção deve decrescer 2,1% em relação ao resultado de 2011, para 191,9 mil unidades. O emplacamento de reboques e semirreboques cairia 5%, para 56,4 mil implementos, e o de carrocerias sobre chassis somaria 130 mil equipamentos, com queda de 1%. Já as exportações avançariam 4,2% para 5,5 mil unidades.
Para a entidade, esta é a projeção mais realista. “Se não houver uma mudança significativa na nossa política industrial, não fecharemos o ano no azul”, avisa Campos. O executivo avalia que o governo tem dificuldade para criar medidas de estímulo ao setor de bens de capital. As principais demandas dos fabricantes são o financiamento de 100% do valor em prazos maiores, que poderiam chegar a 10 anos. Outro incentivo aos fabricantes nacionais seria a desoneração tributária, já que a participação dos impostos no preço dos produtos chega hoje a 40%, segundo a organização.
Caso o setor receba algum incentivo, a Anfir prevê que a produção alcance 213,8 mil implementos rodoviários em 2012, com alta de 9% sobre o período anterior. No cenário mais otimista, as vendas de reboques e semirreboques chegariam a 61,2 mil unidades, com crescimento de 3%, e a de carrocerias sobre chassis alcançaria 147,1 mil equipamentos, com evolução de 12%. A previsão para as exportações se mantém em 5,5 mil unidades, com crescimento de 4,2%.
Assista à entrevista exclusiva com Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir, associação dos fabricantes de implementos rodoviários:
