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Desaceleração era esperada, diz Anfavea

Luiz Moan, presidente da associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, classifica como natural a inversão de desempenho das vendas 2013, que de positivo até julho passou a ser negativo, com recuo de 1,2% nos emplacamentos somados entre janeiro e agosto deste ano, 2,47 milhões de veículos, na comparação com os 2,5 milhões do mesmo período de 2012. “Agosto não foi um desastre, foi o segundo melhor da história, só perde para o ano passado”, afirmou Moan, destacando que as 329 mil unidades emplacadas no mês estão acima da média mensal de 308 mil anotada nos sete primeiros meses do ano.
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pedro

05 set 2013

3 minutos de leitura

“Como já vínhamos avisando, essa queda já era esperada, porque agosto do ano passado foi o melhor mês da história (420 mil unidades vendidas), devido à expectativa que havia na época do fim da redução do IPI, que causou antecipação de compras”, explicou o dirigente. Além do tombo de 21,6% sobre agosto de 2012, as vendas do mês passado também recuaram 3,8% em comparação com julho, o que foi explicado pelo menor número de dias úteis. “Na média diária os emplacamentos ficaram praticamente empatados em 15 mil por dia útil”, destacou.

Para os quatro meses que faltam para terminar o ano, Moan calcula média de vendas mensal acima de 340 mil unidades, para fechar o ano com 3,84 milhões a 3,88 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos, em alta de 1% a 2% sobre 2012. Isso significou uma redução da projeção da Anfavea, que antes de agosto sustentava expansão do mercado em 4,5% este ano.

Para justificar a previsão de novo recorde de vendas este ano, ainda que em volume menor do que foi inicialmente projetado, Moan destaca que a média diária de vendas no acumulado de janeiro a agosto está também idêntica ao anotado em 2012. Outro fator é a inadimplência, que pela primeira vez nos últimos dois anos caiu abaixo de 6%, abrindo espaço para maior concessão de crédito para compra de veículos.

Se o volume total de vendas cresce em ritmo menor, o mix de produtos vendidos indica rentabilidade maior, com produtos mais caros. Pela primeira vez em 12 anos, os emplacamentos de carros 1.0 ficou abaixo de 40%, enquanto os de veículos com motorização até 2.0 ficou pouco acima de 60%. Desde 2001, quando os 1.0 representaram 71% do mercado brasileiro, as vendas desses modelos beneficiados com IPI mais baixo vêm caindo, mas agora chegaram ao nível mais baixo da história, revelando avanço do poder de compra.

ESTOQUES

Com a desaceleração das vendas, os estoques cresceram levemente em agosto, para 400,5 mil veículos fabricados à espera de emplacamento, sendo 297,4 mil nas concessionárias e 103,1 mil nos pátios das fábricas, equivalente a 36 dias de vendas. Em julho o número era de 395,9 mil unidades estocadas, suficientes para 35 dias.

“São níveis absolutamente normais. Às vezes nos esquecemos do número de concessionárias no País (cerca de 4 mil), o que dá um número baixo em estoque por loja”, pondera o presidente da Anfavea. “Um carro pode levar até 15 dias para chegar às concessionárias mais distantes e isso já é considerado estoque, mas o veículo só está em trânsito e às vezes já foi até vendido”, explicou.

IMPORTADOS

Sob efeito da sobretaxação de IPI, as vendas de importados seguem contidas este ano, com redução bem pronunciada em relação a 2012. Enquanto os emplacamentos de veículos nacionais cresceram 2,6% de janeiro a agosto, para 2 milhões de unidades, os estrangeiros registraram queda de 15,2%, para 460 mil, o que representa 18,6% do mercado doméstico, contra 20,7% no ano passado e 23,6% em 2011.