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Embora se possa discutir o papel da embalagem para agregar valor ao produto automotivo, o certo é que ela se transformou em fator determinante para a competitividade e eficiência da cadeia de produção e distribuição. Proteger peças e componentes passou a ser uma exigência básica para facilitar a movimentação nas linhas de montagem e reduzir custos na cadeia de produção.
A Nefab, fabricante com planta em Embu, cidade próxima à capital paulista, trabalha junto aos operadores logísticos no desenvolvimento de caixas, containers, racks, bandejas e sistemas especiais que auxiliam a movimentação dos produtos, principalmente entre montadoras e empresas de autopeças. “A embalagem exerce papel fundamental na indústria automobilística. Poucas áreas industriais têm a mesma demanda logística e a capacidade de implantar novos métodos”, destacou o gerente de vendas Aelton Tomé, lembrando que o setor acaba sendo precursor para outras atividades produtivas.
As embalagens carregam o desafio de proteger, amortecer e bloquear o produto para evitar impactos e são escolhidas após uma diversidade de requerimentos comerciais, técnicos e ambientais até chegar aos modais de transporte. Cada fator é analisado para a eficácia da movimentação do produto e vantagem de custos.
Após escolha do melhor tipo de embalagem, que pode ser descartável, retornável ou reutilizável, vem a tarefa de racionalizar a acomodação das peças para diminuir os volumes transportados. “As embalagens podem ir tanto para o estoque quanto para a linha de montagem e, bem concebidas, reduzem etapas no processo”, destacou Vailton Carlos Bonfim, gerente comercial da Divisão de Logística da Unipac, que possui quatro plantas fabris no estado de São Paulo.
O ponto-chave, para Bonfim, começa na escolha da embalagem. Ele entende que as retornáveis são uma realidade no setor automotivo, tanto por questões de sustentabilidade quanto pelo custo-benefício. “Movimentação, durabilidade e ausência de descarte devem ser avaliadas”, destacou.
No caso das embalagens retornáveis da Unipac, produzidas em plástico, o ciclo médio de vida de cinco anos pode ser estendido, dependendo da forma de utilização. “Elas já estão presentes em quase 100% das montadoras de veículos leves, mas precisamos conquistar o segmento dos pesados”, salientou o gerente comercial, ressaltando a elevada capacidade de carga, resistência e melhor aproveitamento em carregamentos de produtos de alta densidade. Se os componentes devem ser armazenados sem contato com os demais, há bandejas especiais com separadores.
“Ambientalmente responsáveis, as embalagens retornáveis podem reduzir custos em até 70% em relação às descartáveis” – garante o gerente de vendas da fabricante Compatech, Leo Grossman. O executivo explicou elas começaram a ganhar mais força há cerca de cinco anos.
“A especificação do cliente depende muito do tipo de peça que será embalada, mas já existem montadoras que aboliram o uso de embalagens descartáveis”, destacou Grossman, confirmando que as retornáveis possuem um ciclo de vida de quatro a cinco anos, até a reforma e uma nova vida, se o projeto não sofrer modificação.
Enquanto a discussão gira em torno da melhor solução para cada tipo de componente ou processo, o professor de gerenciamento de projetos do Núcleo de Embalagens da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, Aparecido Borghi, enfatiza a inexistência no País de uma engenharia para essa finalidade. “A importância da embalagem vem crescendo, principalmente por causa de suas funções. Ela deixa de ser apenas uma forma de transporte para ser uma ferramenta funcional”, destaca.
Foto: Embalagem retornável da Nefab.