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Fernando Calmon

Desgaste desnecessário

A senha para esse fim foi justamente a lei que estabeleceu freios ABS e bolsas infláveis, embora razões de mercado também tenham prevalecido.
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cria

18 dez 2013

7 minutos de leitura

Picape Courier foi a primeira baixa do ano, ainda em abril. Até 31 de dezembro, a relação de fim de fabricação (FdF) será engrossada por Kombi, Mille, Fiorino antigo, Ka e Gol Geração IV (poderia receber os itens citados, mas dará lugar ao Up!). FdF não significa fim de vendas, pois há estoques. No caso dos itens de segurança o limite é 31 de março próximo. Mas há outros casos. Fiesta Rocam ganhou sobrevida de alguns meses até a chegada do novo Ka. O Golf IV, por razões comerciais/industriais e não técnicas, também terá FdF nos próximos dias, mas será comercializado até o final do estoque em 2014.

Kombi é um fenômeno único de longevidade da segunda metade do século passado. Completou 57 anos de fabricação (inclui o primeiro ano, 1957) graças ao uso prevalecente como veículo de trabalho. Surpresa maior, o Mille esteve em produção por nada menos de 30 anos (inclui 1984), algo raríssimo no caso de automóveis e ainda porque só ocorreram mudanças superficiais. Gol G IV superou o Mille nessa disputa inglória: saiu das linhas de montagem por 34 anos (inclui 1980). Mas o líder de mercado teve entre-eixos aumentado e carroceria arredondada em 1994 (apelidado de Bolinha), o que talvez o coloque na história como exemplo digno de purgatório por ter, afinal, compatibilidade com recursos primários de segurança.

Há pessoas que choram o fim de modelos superados por meio de regulamentos de segurança e ambientais ou até empregos perdidos. Nada mais falso. Essa mentalidade levou à situação absurda em que governo e parte dos fabricantes aventaram, semana passada, adiar a obrigatoriedade do uso de airbags e ABS por dois anos, a partir de 1º de janeiro próximo.

Depois de embates nos bastidores, recuaram parcialmente. A Kombi sobreviverá por dois anos – única exceção – com desculpas como empregos gerados e pelo uso comercial. Estrago institucional, no entanto, já está feito. Péssimo para o País mudar regras a menos de 15 dias de vigorar. Volkswagen, inclusive, deve explicações ou compensações a quem já adquiriu as duas séries especiais “Última Edição”.

Governo mostra improvisação. Nos EUA, há 40 anos, houve cronograma diferenciado e limitado para exigências de segurança entre automóveis e veículos comerciais leves. Aqui, em 2009, já se sabia que o furgão alemão tinha características únicas e, eventualmente, insubstituíveis. O escalonamento de cinco anos, estabelecido pelo Contran, era razoável. Deixar isso para a undécima hora, a fim de agradar sindicalistas ou usuários específicos, é um tremendo desgaste.

Por que governo e indústria não aprendem a lição e estabelecem novas exigências factíveis para os próximos cinco anos? Imobilidade é tudo que organizações oportunistas, como Latin NCAP, desejam para conduzir testes e critérios discutíveis.

RODA VIVA

BMW GROUP surpreendeu ao ampliar seu comprometimento com o mercado brasileiro. Já se sabia que o sedã Série 3 (mais vendido da marca aqui e no mundo) e o SUV derivado dele, X1, além do hatch Série 1, modelo de entrada, estavam entre os que entrarão em produção em Araquari (SC). Inclui agora o X3 (arquitetura com base no sedã Série 5) e o Mini Countryman.

PELA
primeira vez, BMW e Mini dividirão o mesmo teto de uma fábrica, a partir de outubro de 2014. Cronograma prevê intervalo de apenas três meses para os três primeiros produtos. É bem provável que por sair na frente no segmento premium e projetar a maior capacidade instalada (32.000 unidades/ano), existam planos ainda mais ousados, incluindo exportações.

STRADA
cabine dupla de três portas não oferece espaço razoável para adultos no banco traseiro, porém no uso urbano a porta extra atrás agiliza o acesso na maioria dos casos. Impressiona a robustez da solução, mesmo em pisos ondulados e buracos. Melhor combinação é a versão avaliada: motor 1,8 l/132 cv (etanol) e câmbio automatizado, apesar do preço salgado.

CHERY
admite ter avaliado mal a competitividade dos produtos importados da China, em meio à contração do número de concessionárias. Queda de vendas foi de 40% em 2013 sobre 2012. Inauguração da fábrica de Jacareí (SP), no segundo trimestre de 2014, produtos mais atuais, rede ampliada, centro de pesquisas e unidade de motores ajudarão na virada que ela espera.

PARA
ganhar – ou manter, no pior cenário – dinamismo nas vendas, a JAC, segunda marca chinesa a construir fábrica no Brasil (2015), aposta em sistemas multimídia nas linhas J3 e J6. Tela tátil de 6,2 pol. no painel ou na parte posterior dos encostos de cabeça dianteiros, sem cobrança adicional, é uma fórmula de atrair e evitar descontos que repercutem no valor de revenda.

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[email protected]
Twitter: @fernandocalmon

 
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