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Design e manufatura: revolução em curso avança rápido

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pedro

30 nov 2011

6 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB
De Las Vegas, EUA

Quem assistiu ao filme Avatar, um devaneio do diretor James Cameron quase totalmente criado dentro dos computadores, por certo enxergou uma ficção admirável, mas completamente desconectada da realidade. Para a Autodesk, empresa que forneceu o programa que tornou possível a criação de Cameron – e de 16 vencedores do Oscar de efeitos especiais –, essa fantasia já tem muitos elementos de realidade, que deverá mudar o mundo e a maneira como as pessoas pensam e fazem seus produtos.

“As ferramentas ajudam a humanidade a evoluir, como a régua de cálculo inventada em 1620, que mais de três séculos depois ajudou o homem a ir à Lua. É o que estamos fazendo aqui, só que muito mais rápido agora”, disse nesta terça-feira, 29, Carl Bass, CEO da Autodesk, em seu discurso de abertura da Autodesk University 2011, evento que reúne em Las Vegas, Estados Unidos, cerca de 8 mil pessoas de mais de 80 países que, efetivamente, estão mudando o mundo rapidamente por meio de inovações disruptivas apoiadas pelo acesso facilitado à tecnologia da informação, em níveis nunca vistos antes na história.

Computadores já custam menos que commodities como petróleo ou aço, programas estão disponíveis por todos os lados com preços que começam do zero, a conectividade está no ar (ou nas nuvens) por valores cada vez menores e com desempenho cada vez melhor. Tudo isso cria um ambiente para a chamada inovação disruptiva.“Hoje programas baratos e acessíveis na internet permitem a qualquer um fazer coisas incríveis, como projetar sua própria bicicleta ou fazer esculturas complexas. O que está em curso é a revolução da democratização da tecnologia”, destacou Bass.

Desafio à evolução

Essa democratização deverá, nos próximos anos (não muitos), revolucionar a maneira como as empresas e pessoas fazem negócios. Nesse sentido, todas as indústrias estão desafiadas a evoluir, com uso cada vez mais intensivo de programas que permitem o desenvolvimento de produtos complexos e simulações completas – por exemplo, um túnel de vento virtual para testar automóveis que sequer entraram em produção, como já fez a Ford nos Estados Unidos. A boa notícia é que isso custa menos, sem perda de qualidade – muito pelo contrário, na maioria dos casos com aumento da complexidade ou sofisticação dos produtos.

“Estamos no meio de uma confluência de inovações disruptivas, como nunca existiu nessa intensidade antes na história da humanidade”, afirma Brian Mathews, vice-presidente responsável pelos laboratórios de desenvolvimento da Autodesk. Como exemplo, ele cita a evolução do CAD, programa computadorizado de desenho industrial largamente utilizado nas últimas duas décads. “Podemos fazer coisas incríveis com o CAD, mas não capturávamos a realidade, que era traduzida por uma série de traços simples e pouco compreensíveis. Hoje um scanner 3D, que custava US$ 100 mil, passou a US$ 30 mil e alguns já podem ser comprados por US$ 2 mil, pode capturar essa realidade para dentro do computador, e uma vez lá podemos alterá-la como quisermos”, explica.

Mathews destaca que hoje é possível “escanear” uma cidade inteira em questão de alguns dias com a ajuda de uma câmera apropriada em um helicóptero. Segundo ele, esse tipo de tecnologia está tornando o desenvolvimento de produtos substancialmente mais rápido e barato, pois é possível partir de produtos já prontos para depois redesenhá-los.

Nuvem de criatividade

Ao lado dessas novas capacidades nunca vistas antes, também avança em ritmo acelerado o compartilhamento de arquivos na “nuvem”, que se tornam acessíveis todos esses programas e projetos por qualquer pessoa com acesso à internet. Esse fator eleva o poder de colaboração entre indivíduos e empresas a níveis impensáveis. É o que os especialistas batizaram de “computação infinita”: todos conectados o tempo todo. “As pessoas deixarão de ter coisas armazenadas no seu PC. Tudo estará na nuvem”, avisa Mathew.

Com isso, o CAD, que era a sigla de Computer Aided Draft e passou a ser Computer Aided Design, hoje já pode ser chamado de Computer and Cloud Aided Design, ou, em uma tradução livre, projeto suportado por computador e pela nuvem, em alusão ás milhares de pessoas ao redor do mundo que podem estar conectadas a um mesmo projeto.

Manufatura pessoal

E o que vem a seguir nessa revolução? “A última década criou o mundo virtual, com a internet e as redes sociais. A próxima década vai transformar o virtual em real”, aposta Chris Anderson, editor da revista Wired, dos Estados Unidos. Nesse sentido, uma das tendências apontadas durante a Autodesk University é a “manufatura pessoal”, apoiada pela evolução das “impressoras 3D”, que poderão dominar os cenária da fabricação de vários produtos nas próximas décadas.

Um bom exemplo de até onde poderá chegar a manufatura virtual foi dado na abertura do evento por Mark Hatch, criador e CEO da Tech Shop, que tem o slogan “make your dreams” (ou “faça os seus sonhos”). “Por cerca de US$ 100 por mês, estamos oferecendo às pessoas acesso a todo o aparato criado pela Revolução Industrial há mais de um século”, define Hatch. Em suas quatro “lojas”, ele oferece os meios de manufatura e máquinas para pessoas que têm ideias de fazer seus próprios produtos. Entre diversos produtos já executados na Tech Shop, consta até uma motocicleta inteira.

“O fato é que 60% das inovações desenvolvidas pelas indústrias vêm de ideias dos próprios consumidores. Por isso a inovação aberta e o acesso aos meios de desenvolvimento e produção são fatores que vão mudar o mundo”, sentencia Hatch.

O financiamento dessa inovação também pode vir dessa conexão infinita com o mundo virtual. Um dos exemplos citados na Autodesk University chamou a atenção de todos. Um empreendedor teve a ideia de fazer um relógio de pulso com touch screen e aplicativos da Apple. Ele colocou sua ideia em um site que arrebanha investidores. Resultado: em dez semanas o negócio atraiu 13.512 investidores, que aportaram quase US$ 1 milhão no negócio. O tal relógio de pulso já está à venda nas lojas da Apple, mas é fabricado na China.