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Desindustrialização, um tema atual em debate

Estimulada pelo crescimento das vendas de veículos no mercado, a indústria automobilística brasileira tem acelerado a produção. O crescimento, no entanto, tem acontecido cada vez mais com a aquisição de componentes em outros países.
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12 nov 2009

3 minutos de leitura

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De um lado, as próprias montadoras têm procurado fontes alternativas de suprimentos no exterior, como forma de reduzir custos de produção. De outra parte, as próprias fabricantes de autopeças têm procurado atender as encomendas locais com produtos também obtidos de parceiras ou subsidiárias em outros países.

O tema da desindustrialização é tratado no Estadão de 12 de novembro pela jornalista Raquel Landim. A matéria no caderno de economia tem o título “Montadoras já compram mais autopeças importadas”.

“Esse câmbio contribui para a desindustrialização do Brasil” – disse a ela o diretor geral da Marcopolo, José Rubens de La Rosa. A empresa está deixando de enviar peças para as filiais no exterior e busca alternativas para trazer componentes de fora para alimentar as fábricas locais.

Edson Martins, diretor de suprimentos da Agrale, caminha também para elevar as importações, depois de uma revisão da cadeia de fornecedores. “Não dá para trocar de fornecedor por conta da sazonalidade do câmbio, que é abrupta no Brasil. A troca da fonte de suprimento é um processo é longo, mas está acontecendo” – afirmou à jornalista.

Fontes alternativas

Dados do Sindipeças confirmam a trajetória negativa para a balança comercial de autopeças este ano. O deficit deve chegar a US$ 2,7 bilhões, segundo o presidente Paulo Butori, que já se queixou do fato das montadoras utilizarem cotações no exterior, especialmente na China, para pressionar os fornecedores locais de autopeças a baixar preços.

Vagner Galeote, diretor de manufatura da Ford, admitiu recentemente que é usual avaliar fontes de suprimento em diversos países e explicou que há diversos fatores que podem levar a essa pesquisa: preço, escassez de oferta local e novas tecnologias.

Ex-diretor de compras da montadora, Galeote afirmou também que não são apenas as montadoras que fazem essa pesquisa internacional. Os próprios fabricantes de autopeças consultam fornecedores globais em busca de oportunidades. “Muitas vezes são empresas do mesmo grupo” – disse.

O excesso de desperdício na cadeia de suprimentos tem sido apontado como um dos fatores que contribuem para diminuir a competitividade das empresas brasileiras, afetadas também pela estrutura tributária, dificuldades logísticas e escala de produção ainda pequena das plataformas automotivas utilizadas na região.

As relações entre Brasil e Argentina nas trocas de componentes automotivos têm se tornado conflituosas, com a exigência agora recíproca de licenças de importações.

Em seminário promovido pela SAE Brasil, no final de agosto, Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, já ressaltava a importância de evitar redução na nacionalização de autopeças como fator para alavancar a competitividade do setor.

“É imperativo preservar a relevância do mercado doméstico do Mercosul e agir como bloco para elevar a escala em relação a outros emergentes” – afirmou na ocasião. Para ela é indispensável preservar os investimentos na indústria automobilística como forma de assegurar o dinamismo da cadeia de produção.