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Detroit, em alta tensão, mostra o carro elétrico

O conceito do Volt é aposta da GM para a recuperação. O Insight é a resposta da Honda ao Prius, da Toyota.
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cria

13 jan 2009

3 minutos de leitura

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O petróleo barato é uma das ameaças à mudança no perfil das montadoras de Detroit, que se esforçam para mostrar no Salão do Automóvel (que abriu as portas à imprensa dia 11 no Cobo Hall), suas iniciativas para chegar ao carro verde, eficiente e econômico. Com o custo do combustível de origem fóssil em baixa, cresce a tentação de preservar as velhas fórmulas ainda sobreviventes na indústria norte-americana tradicional. Uma delas é fabricar carrões, agora também na forma de crossovers, que tem sede enorme e não foram concebidos para conviver em harmonia com o meio ambiente.

As montadoras agora enfrentam a obrigação de provar que estão mudando para melhor se quiserem receber ajuda do governo. As vitrinas do Salão do Automóvel pelo menos aparentemente mostram que essa intenção existe. Este ano há mais carros compactos, mais híbridos e uma indicação de que o carro elétrico é a saída. A Mercedes-Benz, por exemplo, leva à mostra três diferentes concepções de powertrain, montadas sobre uma mesma plataforma. A receita combina, de modos diversos, motor elétrico, baterias de íon-litio, sistema de célula a combustível e pequenos motores a combustão para recarregar baterias. A tração é elétrica. A corrida ao carro elétrico se acelera e esbarra ainda em questões como a autonomia dos veículos, duração e custo das baterias, complexidade das células a combustível combinada com a dificuldade de se distribuir hidrogênio para alimentá-las.

Carro na tomada, como celular
Carros do tipo plug in, cujas baterias podem ser recarregadas em redes públicas ou mesmo em tomadas domésticas, podem chegar ao mercado, ainda de forma tímida, em alguns meses. Há diversas iniciativas em gestação. Em Detroit o presidente da GM, Rick Wagoner, anunciou a construção de um laboratório e uma fábrica para o desenvolvimento e produção de baterias em Michigan. Wagner Oliveira escreve na Gazeta Mercantil que a ideia é fazer de Michigan a ‘capital da bateria’ para recuperar parte dos milhares de empregos perdidos com a crise na indústria automobilística. A GM aposta no projeto do Volt, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, como solução para as próximas gerações de veículos. Outras montadoras avançam na mesma direção. A Honda mostra no Salão do Automóvel de Detroit seu avançado Insight para concorrer com o Toyota Prius. Outra iniciativa global está nas mãos dos projetistas da Renault-Nissan, que trabalham em programas de distribuição de energia que terão como clientes os proprietários de carros elétricos em países como Israel e Noruega.

Wim van Acker, consultor especializado no setor automotivo, analisou durante o simpósio Tendências promovido pela SAE Brasil no ano passado em São Paulo, o papel dessas redes de energia que abastecerão frotas de veículos elétricos. Na ocasião ele anunciou que o carro, nessa situação, poderá ser uma commodity, da forma que o telefone celular. “Companhias telefônicas vendem serviços. Depois o celular. O modelo da rede de energia para fins automotivos pode vender eletricidade, alugar baterias, comercializar planos de acesso à Internet e muitas outras facilidades. No final da compra o cliente escolherá o carro” – afirmou.