
Nunca em toda a história do setor automotivo brasileiro se falou tanto sobre veículos e impactos ambientais. Para usar exemplos mais recentes, e proeminentes, a costura das políticas industriais Inovar-Auto e Rota 2030 se deu também com base no alicerce ambiental. A produção local de híbridos também atende a essa demanda. A de elétricos, então, nem se fala.
Mas as iniciativas não param por aí. Nesta segunda-feira, 5, se comemora o Dia do Meio Ambiente e reunimos aqui outros casos em que a indústria automotiva deu mostras de que há relevante preocupação com o assunto, e que ela não apenas baliza o desenvolvimento de novos produtos, mas também envolve inovações nos meios produtivos.
1. Fábricas zero carbono
O polo automotivo da Stellantis localizado em Goiana (PE), onde a montadora produz modelos Jeep e a picape Fiat Toro, é o primeiro complexo industrial da companhia na América Latina classificada como neutra em emissões de carbono. No curto-prazo, a empresa pretende que toda a sua operação global seja neutra em carbono até 2038.
A Bosch, por sua vez, também investe no desenvolvimento de componentes e sistemas voltados para a descarbonização, como podemos ver nesta entrevista concedida pelo seu presidente, Gastón Diaz Perez.
2. Medição mais abrangente das emissões dos carros
Se tudo der certo, na segunda fase do Rota 2030 o Brasil vai adotar a medição das emissões do poço à roda e ser pioneiro em aferir o impacto ambiental da mobilidade de forma mais abrangente.
Enquanto a nova fase é regulamentada em Brasília (DF), algumas soluções já estão sendo desenvolvidas para que consumidores e empresas tenham acesso às emissões veiculares em tempo real.
A Volkswagen, por exemplo, busca elevar o nível de informação dos seus clientes para que eles tomem decisões mais embasadas no posto. No ano passado, a companhia anunciou o programa Abasteça Consciente, que pretende incentivar o uso do combustível renovável. O objetivo é reduzir a pegada de carbono no uso dos carros da marca.
Vai funcionar assim: por meio do VW Play, o consumidor calcula o preço dos combustíveis no posto. A aplicação também informa o custo por quilômetro rodado com etanol e, também, a emissão de CO2 evitada com a opção pelo etanol.
3. Carros elétricos abastecidos com energia limpa
Uma máxima comum de se ouvir dentro do setor automotivo é a que versa sobre como um veículo elétrico carregado no Brasil é mais limpo do que um equivalente em outras regiões.
Outro diferencial do país é o etanol, que também ajuda a frota circulante nacional a poluir menos o meio ambiente. O biocombustível, portanto, tem sido o catalisador de novos investimento no país em termos de powertrain.
“Nós podemos justificar o porquê apostamos na eletrificação do etanol como caminho para a descarbonização. Essa rota tecnológica vai nos garantir eficiência industrial, localização da produção de componentes, fortalecer a engenharia local e gerar PIB para o Brasil. Precisamos ver se quem defende apenas o carro elétrico sabe explicar o motivo”, disse o presidente da Stellantis, Antonio Filosa, em março.
Em parceria com a Bosch, a companhia testou uma série de tecnologias de propulsão. Filosa aponta que um carro emite 60,6 gramas de CO2 por quilômetro quando abastecido com gasolina no Brasil. Com etanol, o número cai para 25,8 gramas. Já no caso de um modelo puramente elétrico abastecido com energia limpa, as emissões ficam em 21,4 gramas de dióxido de carbono por quilômetro.
4. Montadoras investem em geração de energia
Montadoras instaladas no pais não produz apenas veículos, também geram a energia elétrica que consomem. A fábrica da BMW em Araquari (SC), por exemplo, ampliou a capacidade de geração de energia solar para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Com mais de mil painéis instalados, a fábrica vai evitar a emissão de 157,2 toneladas de CO² por ano.
A Volkswagen, por sua vez, mantém desde 2010 uma hidrelétrica entre as cidades de São Joaquim da Barra e Guará (SP), a PCH Anhanguera. A unidade tem potência instalada de 22,68 MW, com capacidade para gerar aproximadamente 100.000 MWh/ano, o suficiente para abastecer uma cidade de 50 mil habitantes.
Também nessa linha, a Honda inaugurou na cidade de Xangri-la (RS) em 2014 seu primeiro parque eólico do mundo, com o custo de R$ 100 milhões. Com nove geradores produzindo 95.000 MW ao ano, o empreendimento, à época, nasceu para alimentar a demanda energética da fábrica de automóveis em Sumaré (SP) .
5. Preocupação com a fauna
Há também exemplos ligados à fauna brasileira, como é o caso do projeto Felinos Pantaneiros, do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que atua na preservação e monitoramento de onças-pintadas e desde março conta com o apoio da General Motors.
A onça pintada é classificada como vulnerável de extinção pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além de proteger essa espécie, o projeto Felinos Pantaneiros do IHP atua desde 2016 na preservação e monitoramento de outros grandes felinos, como a onça parda, jaguatirica, gato mourisco e gato palheiro.