

Na terça-feira, 27 de julho, é Dia Nacional do Motociclista. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), hoje o Brasil tem 33,8 milhões de motociclistas. Infelizmente, os números mostram que essa modalidade de transporte está cada vez mais precarizada e sujeita a acidentes.
Entre 24 de março de 2020, primeiro dia da quarentena, e 30 de abril deste ano, os acidentes de trânsito diminuíram 41% no geral na capital paulista. No entanto, as mortes de motociclistas aumentaram no período. Dados do Infosiga SP, sistema do Governo do Estado gerenciado pelo programa Respeito à Vida do Detran paulista, mostram que os acidentes com esses motoristas cresceram 45,5% entre abril de 2020 e junho de 2021, de 4.877 para 7.097. O número de óbitos também subiu 13,5%, de 133 para 151.
REFLEXO DO CONTEXTO PANDÊMICO
Essa dicotomia entre diminuição nos acidentes gerais e aumento nos acidentes com motociclistas é reflexo da situação gerada pela pandemia. Com menos gente na rua, aumentou a demanda por serviços de entrega realizados por motoboys. Nesse tipo de trabalho, a pressão pela rapidez vem dos dois lados (de quem compra o produto e de quem produz), o que faz com que os motoristas dirijam com menos cuidado e se exponham mais a acidentes.
Mas o aumento no número de motos não é só causado pela pandemia. Estudo divulgado em setembro de 2020 pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) mostrou que, entre 2009 e 2019, o número de motociclistas cresceu 54,2% no Brasil. Isso é 44,7% do total de pessoas com CNH no país, ou seja, quase metade dos motoristas brasileiros são motoqueiros. A frota também quase dobrou, passando de 15 milhões de motos em 2009 para 28 milhões em 2019.
Entre os motivos apontados por essa preferência estão o menor custo de aquisição, manutenção e combustível das motos em comparação aos carros, além da precarização do transporte público. Tanto é que, segundo o estudo da Abraciclo, o perfil socioeconômico da maioria dos que adquiriram motos nos últimos anos permitiria a compra do automóvel, caso desejassem. Mas eles escolheram a moto, mais ágil e barata.
Além disso, a moto é uma opção interessante de mobilidade para quem mora longe dos grandes centros, onde o transporte público é deficiente. Sem ter uma opção confiável do poder público para poder se locomover, o trabalhador não tem opção a não ser comprar a moto.