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Redação AB
Os cenários são oportunos para avaliar as possíveis reações da indústria automobilística brasileira diante da evidente invasão de produtos estrangeiros, sejam veículos completos ou sistemas e componentes. Essa tendência é evidente nos resultados da balança comercial e costuma ser demonstrada de forma incontestável pelo presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, que exibe um slide para chamar a atenção sobre o ‘xis’ da questão. No gráfico, em forma de xis, as importações sobem e as exportações descem.
O avanço das importações ameaça não apenas as atividades locais de manufatura, cada vez mais empenhadas na montagem de sistemas importados na forma CDK ou SKD. Outra fragilidade paira também sobre o desenvolvimento da engenharia automotiva, que depende fundamentalmente da criação de projetos visando à produção local.
O simpósio Novas Tecnologias na Indústria Automobilística, dia 28 de março em São Paulo, constituirá uma boa oportunidade para debater essas questões. Entre os palestrantes estará Rogelio Golfarb, diretor da Ford e vice-presidente da Anfavea, que responde na entidade pelos estudos de competitividade. Outro evento que avaliará o tema será o II Fórum da Indústria Automobilística, dia 11 de março, também em São Paulo, promovido por Automotive Business, com a participação do MDIC.
As questões relativas à competitividade do parque industrial brasileiro e dos serviços de engenharia devem ser explicitadas pela Anfavea e Sindipeças, possivelmente até o final de abril, à presidente Dilma Roussef.
Levantamento do governo sobre a indústria automobilística foi conduzido pela CSM Worldwide no final do ano passado e, apesar da mudança política, o MDIC preserva em grande parte os condutores da análise. Estudo do Sindipeças, coordenado pela consultora Letícia Costa, já está pronto. A Anfavea trabalha no projeto a ser levado a Dilma Roussef, que tem a participação da PricewaterhouseCoopers.
Seria interessante que na apresentação ao governo do diagnóstico e repertório de soluções para o setor automotivo estivessem presentes, de forma independente, representantes de entidades como a SAE Brasil e AEA. Seria uma maneira de assegurar que as vozes dos profissionais dos segmentos de engenharia e tecnologia sejam ouvidas.
Resta aguardar a resposta do governo às recomendações setoriais para uma reação à invasão estrangeira – evidenciada na balança comercial — que serão engrossadas por manifestações de outras áreas da indústria brasileira. Diante das dificuldades na área econômica, os remédios podem não corresponder exatamente à expectativa do setor automotivo – pelo menos no curto prazo.