
“A alegação é infundada. Todos os nossos veículos estão em conformidade com os padrões determinados”, afirmou o porta-voz da Daimler Joerg Howe. A acusação de que a montadora usa o dispositivo para desligar o sistema voltado à redução de emissões de óxido de nitrogênio (NOx) foi feita pelo dono de um Mercedes em Illinois.
Dessa forma, os motores estariam emitindo 19 vezes mais NOx que o permitido pelas normas americanas e algumas leituras instantâneas superaram em 65 vezes o valor máximo tolerado quando o dispositivo desliga o sistema de controle de emissão.
O escritório de advocacia embasou-se, em parte, em um artigo da revista alemã Der Spiegel. A publicação informa que a Mercedes admitiu que o desligamento ocorre para proteger o motor.
Os advogados também citam um estudo realizado pela agência de testes independente TNO para o Ministério Holandês de Infra-Estrutura e Meio Ambiente. Em medições reais, o Mercedes C 220 emite mais NOx do que o volume aferido em resultados laboratoriais.
“É comum haver medições reais com resultados diferentes dos obtidos em testes de laboratório, mas não nessa proporção”, afirma a porta-voz da TNO, Monique de Geus. Testes da empresa mostraram que vários veículos vendidos na Europa apresentaram emissões muito mais elevadas do que o permitido e que modelos Mercedes BlueTec estavam entre os testados.
A ação pretende forçar a Mercedes-Benz a fazer um recall dos modelos afetados ou substituí-los, além de reparar outros danos decorrentes do problema. Entre os modelos atingidos estariam os utilitários esportivos GLE, ML320, ML 350 e também modelos das Classes E e S.
As reivindicações são semelhantes àquelas que atingiram 11 milhões de veículos a diesel do Grupo Volkswagen no fim de 2015, levando a uma grande investigação que resultou na mudança de boa parte da cúpula do Grupo VW. A primeira denúncia que deu origem ao dieselgate ocorreu nos Estados Unidos e a Justiça americana está processando a VW em US$ 46 bilhões por violações do direito ambiental.