Essa é a razão do sistema manter 240 mil cotas contempladas cujos proprietários ainda não exerceram o seu direito de compra, para o desespero da indústria automobilística, que amarga números de vendas sofríveis em relação aos anos de 2013 e 2014. As cartas de crédito correspondem a um mês e meio de vendas e, caso fossem revertidas em compra, aliviariam a situação do setor, que trabalha com uma 50% da sua capacidade instalada.
Mas se depender da vontade dos consociados, a situação vai se agravar ainda mais. Afinal, para que investir o suado dinheirinho num momento de dúvidas na economia e incertezas na política? Ainda mais com a garantia de um rendimento acima dos papeis bancários. Os números revelam que os consumidores continuam quietinhos esperando a situação melhorar e, mais do que isso: novos contemplados estão preferindo deixar o dinheiro investido em vez de comprar o carro zero quilômetro.
Dados da ABAC, a Associação das Empresas de Consórcio, indicam que a possibilidade de usar o dinheiro como investimento tem tornado o sistema de consórcio mais atraente para o consumidor. Em 2014, 51% dos consorciados usaram o sistema como um meio para adquirir o bem, enquanto 49% o faziam como investimento. Já em 2015, penas 41% optaram pelo consórcio com o objetivo de comprar um carro, enquanto 59% o fizeram como investimento.
Os números da entidade indicam também que o consumidor está investindo para comprar carros mais caros. Há um ano o ticket médio – o valor médio do bem desejado no grupo de consórcio – era de R$ 40.900. Neste ano o valor subiu para R$ 41,200.
De janeiro a julho o sistema registrou 264.300 contemplações, o que significa um volume de R$ 10,7 bilhões, boa parte dele parado no banco, enquanto poderia estar nos cofres das montadoras.
O consórcio é responsável hoje por 64% das vendas de motocicletas no Brasil, 35% da venda de automóveis e comerciais leves e 43,3% dos caminhões. O consumidor paga sobre o valor do carro e a prestação sobre dependendo do aumento do preço do veículo-referência. Paga também a taxa de administração, que é de 13,5% para automóveis (60 meses), 17% para moto (60 meses) e 13,7% para caminhão (100 meses).
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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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