A expectativa é de que estes veículos resolvam o maior problema enfrentado hoje pelo motorista, que não pode se dedicar exclusivamente à conectividade. O condutor tem que desviar a atenção do celular pra dirigir, pra prestar atenção no trânsito, no carro que está ao lado, no pedestre que vai atravessar a rua, na moto que cruza na sua frente, no ciclista que vem andando junto à guia. Isso sem contar que precisa ficar atento pra ver se o farol vai fechar, tem de dar a seta pra entrar a direita ou esquerda ou pra mudar de faixa. Desse jeito não dá mesmo pra usar o celular.
O pior é que, mesmo com toda a atenção que têm que dar ao trânsito, tem motorista que dirige conectado. Não adianta o sistema de viva-voz, porque ele não se comunica mais falando, mas escrevendo. Manda mensagens pelo WhatsApp, usa as redes sociais, quer dizer: além de desviar os olhos da via, dirige só com uma mão no volante.
Experimente olhar para o motorista ao seu lado no trânsito. É raro encontrar alguém desconectado.
Mas se o carro estiver parado, tudo bem? Nada disso. No meio da rua, parado no trânsito ou no farol, você está dirigindo. O motorista tem de estar com toda a atenção voltada para o trânsito; ele pode ser multado se manusear o celular nessas condições.
O carro que anda sozinho está chegando por aí, mas não sei se ele vai chegar a tempo de salvar os conectados que andam no trânsito. O cantor Mick Jagger ficou assuntado com a quantidade de gente que, na plateia, filmava ou fotografava o seu show: “em São Paulo, parece que as pessoas assistem o show pelo celular”, disse o cantor.
Se andasse pelas ruas da cidade na hora do pico, diria que o paulistano dirige pelo celular.