Eu me refiro à transformação inevitável de toda a indústria automotiva. As mudanças afetarão os diversos âmbitos que compõem o setor – da construção de peças para a montagem de veículos até modelos de consumo da sociedade – e serão lapidadas conforme o avanço da conectividade, da inteligência artificial e da internet das coisas (Internet of Things, ou IoT).
Por um lado, companhias tradicionais passarão por processo de renovação na busca por espaço no mercado cada vez mais tecnológico e compartilhado. Por outro, empresas nativas digitais e startups seguem a trilha de veículos elétricos e sustentáveis, que dispensam o uso de fontes de energias não renováveis.
Basta pensar no modelo de negócios da Uber. A organização é um dos principais exemplos de disrupção do setor e da forma como as pessoas consomem serviços de transporte. Aos poucos, a ideia de compartilhamento ganha força na sociedade e adquirir um carro pode deixar de ser prioridade da população: 55% dos brasileiros que utilizam serviços de veículos compartilhados questionam a necessidade de ter um carro próprio, de acordo com a pesquisa “Global Automotive Consumer Study” (“Estudo Global do Consumidor Automotivo”, em tradução livre), feita pela Deloitte (veja aqui).
O relatório mostra como, além das frotas de táxi, grandes marcas do setor automotivo aceleraram suas jornadas e foram forçadas a mudar a maneira como entregam seus produtos e serviços. Neste ano, no Japão, uma famosa marca de carros passará a utilizar a sua expertise para colocar em prática um serviço de compartilhamento de seus veículos.
Essa nova relação com os automóveis também impacta o processo de venda desses bens e a infraestrutura urbana da cidade. Em alguns anos, o número de vagas em estacionamentos, por exemplo, poderá diminuir, já que muitos veículos estarão sempre em movimento.
Simultaneamente, montadoras e fornecedores já desenvolvem peças rastreáveis, dentro do conceito de coisas conectadas. Hoje, o fabricante é capaz de monitorar o motor e uma série de componentes, além de analisar os dados do veículo em tempo real. Assim, será possível otimizar a performance e a vida útil dos automóveis, além de aprimorar o atendimento ao consumidor. Um exemplo real e em funcionamento é o conhecimento prévio do nível de desgaste do carro, que possibilita ao centro de suporte do usuário um atendimento ágil e eficiente, indicando postos autorizados próximos, com peças disponíveis, para agendamento e troca antes mesmo que um problema ocorra.
Além disso, todo o setor também absorverá as mudanças na forma de consumo e a exigência dos usuários finais por personalização, impulsionando a evolução da indústria. O futuro ainda é incerto, mas, no mundo das coisas conectadas e das cidades inteligentes, estar em um automóvel será uma nova experiência.
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Leandro Laporta é gerente de pré-vendas Brasil da Orange Business Services