
Na transição que as montadoras de veículos vêm fazendo de modo a eletrificar as suas ofertas, surgem diversas dúvidas a respeito de onde alocar recursos.
Exemplos recentes mostram isso. A Ford encerrando as suas operações ligadas ao motor de combustão para focar no desenvolvimento de veículos elétricos é um deles.
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A montadora de Detroit, bem como outras fabricantes, aportou dinheiro para custear novos projetos. O problema é que a fluidez do mercado mostra que o futuro da mobilidade segue por caminhos distintos.
O exemplo da Ford é só um dos contrapés que pegaram as montadoras centenárias de surpresa, mostrando que nessa corrida rumo à eletrificação, estratégia é fundamental para fazer a asposta certa.
“A pergunta principal hoje é de origem orçamentária: ‘vamos ou não investir em determinada tecnologia?'”, apontou Letícia Costa, da Prada Assessoria, durante o Up Next Eletrificados, evento organizado por Automotive Business.
“Nesse sentido, podemos afirmar que é muito difícil para as empresas fazer várias coisas ao mesmo tempo. Algumas montadoras tiveram de fazer escolhas porque apostar em todas as tecnologias envolve muito dinheiro”, completou.
A especialista reproduziu durante o evento da AB um mantra que já vem sendo proferido pela indústria há algum tempo: o futuro da eletrificação é eclético; ou seja, híbridos e elétricos puros terão de conviver.
“Analisando a matriz brasileira, é praticamente impossível acreditar que os veículos elétricos vão dominar o mercado brasileiro. Não é algo racional dada a gama de possibilidades com a aplicação do etanol, por exemplo”, disse Letícia.
O cenário é positivo, continuou a consutora, uma vez que a gama de apostas leva as montadoras a não depositarem todos os recursos em apenas uma determinada tecnologia de motor.
“O bom de existirem diversas rotas para descarbonização é que isso mitiga os riscos dos investimentos, e isso é fundamental em contexto de insegurança no qual vivem”, contou.
