
“A maioria dos novos projetos de veículos tem maior uso de elastômeros e estamos nos beneficiando desta demanda”, conta sem revelar números Marcello Mori, diretor comercial da divisão de elastômeros, elétrica e telecomunicações da Dow América Latina. Ele explica que fornece dois tipos do insumo, ambos importados de fábricas nos Estados Unidos, que são entregues a elaboradores de compostos químicos vendidos a empresas de autopeças. Um deles, chamado Engage, é usado para dar flexibilidade a peças plásticas, como para-choques, ou para conferir textura emborrachada de painéis. O outro elastômero comercializado pela Dow é o Nordel, que integra a composição de mangueiras de borracha e vedações de portas.
Mori diz que a procura por esses elastômeros também tem crescido no Brasil, especialmente em novos veículos: “São projetos que começaram a ser desenvolvidos há cerca de dois anos e que agora começam a ser introduzidos no mercado, com impacto positivo para nós”, explica. “Existe também uma maior demanda por nacionalização de peças e isso aumenta a demanda pelo insumo para fabricação local”, acrescenta.
DIVISÃO AUTOMOTIVA
Na sua divisão automotiva, a Dow a empresa tem se beneficiado da maior demanda por materiais mais leves e novas técnicas construtivas dos veículos. Um dos produtos com procura crescente são os adesivos estruturais, que podem substituir a soldagem. “A necessidade de baixar o peso levou muitos fabricantes a usar aços de alta resistência em chamas mais finas, que não podem ser aquecidas porque perdem a têmpera. Então está se usando adesivos epóxi para unir essas partes”, explica Leonardo Censoni, diretor comercial da Dow Automotive Systems América do Sul. A empresa também produz adesivo para unir borracha e metal, usado em coxins, por exemplo.
Outro adesivo que passou a ser amplamente usado pela indústria é a cola para vidros automotivos, que a Dow produz em uma fábrica exclusiva para o produto em Pindamonhangaba (SP) e fornece tanto diretamente às montadoras como para o mercado de reposição.
Além de adesivos, a divisão automotiva também fornece no Brasil espumas de poliuretano para bancos a partir de uma fábrica em Jundiaí (SP), e importa fluídos para freios e ar-condicionado.
Uma nova frente de negócios está sendo aberta com o desenvolvimento de compósitos de fibra de carbono, que podem substituir chapas de metal com maior leveza e resistência. “Ainda existe muito campo a avançar no setor automotivo”, avalia Censoni.
EXPANSÃO DO PORTFÓLIO
O portfólio destinado ao setor automotivo da Dow tende a crescer nos próximos anos com os movimentos que têm sido feitos pela empresa. Recentemente a Dow adquiriu da Corning o controle total da Dow Corning, que produz silicones usados por fabricantes de veículos.
Mais recentemente, em julho passado, foi anunciada a fusão da Dow com a DuPont, que também mantém amplo leque de materiais fornecidos à indústria automotiva, o que deverá ampliar o portfólio de fornecimento ao setor, pois as empresas têm produtos complementares. O negócio deve ser concluído até o fim do ano e as duas futuras sócias já divulgaram que pretendem separar os negócios de agricultura, ciências de materiais e de produtos especializados em três empresas independentes.