
Em 2012 o faturamento da Magneti Marelli no Brasil foi de R$ 2,7 bilhões, estável em relação a 2011, resultado considerado positivo diante da queda de 13,5% do faturamento do setor brasileiro de autopeças. O País é um dos mais importantes mercados da empresa no mundo, o único fora da Itália que tem representação local de todas as oito divisões da companhia, com fatia de 20% das receitas globais de € 5,8 bilhões no ano passado. “Temos expectativa de crescimento nos próximos anos, mas em 2013 não vejo grande avanço, pois as vendas de veículos devem repetir 2012”, avalia Duarte. “O que compensa é o aftermarket (mercado de reposição), que tem participação relevante em nossos resultados”, completa.
INVESTIMENTOS
A empresa informa que o investimento em pesquisa e desenvolvimento no País todos os anos gira em torno de 5% de seu faturamento. Principalmente para atendimento ao Inovar-Auto, estão em gestação novos sistemas e componentes para 15 novos veículos de nove montadoras. Entre essas novidades, Duarte revelou que já está em desenvolvimento um sistema de injeção direta de combustível para motores flex etanol-gasolina, que contribui sensivelmente para reduzir o consumo e pode ajudar muitos fabricantes a bater a meta prevista no regime automotivo, de redução mínima de 12% até 2016 no consumo médio dos carros vendidos no Brasil. O Inovar-Auto também prevê a concessão de descontos adicionais de IPI, de até dois pontos porcentuais, para quem superar esse objetivo entre 2017 e 2020.
“Nós já temos a tecnologia GDI (injeção direta de gasolina) na Europa e vamos adaptar ao flex. Os estudos de viabilidade para fazer o sistema aqui estão em andamento. Será preciso fazer uma nova linha de produção para esses injetores”, conta Duarte, que calcula o investimento em US$ 12 milhões a US$ 15 milhões. A linha, caso seja realmente instalada, deverá ficar dentro da unidade de Hortolândia (SP), que abriga a divisão de powertrain e ainda tem espaço.
Outro foco de investimento, que Duarte ainda não sabe precisar de quanto será, é a instalação de novas unidades de produção em Pernambuco, das divisões de componentes plásticos, conjuntos de suspensão e sistemas de exaustão de motores (escapamentos e seus agregados). Não está definido se as plantas vão ficar dentro do complexo industrial que a Fiat constrói em Goiana (PE), mas a unidade de escapamentos deverá ficar fora, pois não será dedicada só à Fiat. “Há negociações para fornecer a outras montadoras na região”, diz o executivo, citando o exemplo da chinesa JAC, que terá fábrica em Camaçari (BA).
Duarte também espera conquistar novos clientes entre as montadoras que estão chegando ao Brasil, além de algumas que já estão aqui há algum tempo e ainda não compram. Um exemplo é a Honda, que a partir de 2014 passará a comprar amortecedores da Magneti Marelli, para substituir os importados do Japão usados atualmente em seus veículos.
No Mercosul, a divisão de amortecedores é a que mais fatura, com 23,8% das vendas, seguida pela powertrain, com 17,9%. A unidade de negócios que mais cresce na região atualmente é a de sistemas de exaustão. “É um dos elementos principais na redução de emissões, que são cada vez mais exigidas, por isso são componentes cada vez mais diferenciados”, explica Duarte.
EXPORTAÇÕES EM BAIXA
Se as perspectivas para o mercado doméstico brasileiro são boas, o cenário é inverso para as exportações. “A combinação de insumos caros (ele cita o preço do aço) e câmbio desfavorável está derrubando as vendas ao exterior”, diz, lembrando que os clientes estrangeiros já compraram 30% da produção da Magneti Marelli no Brasil e hoje esse porcentual mal passa de 5% a 6%.
O grosso do mercado externo atualmente é o de peças de reposição, que são exportadas atualmente para 65 países. Já o fornecimento direto a montadoras caiu drasticamente e deve recuar ainda mais. No caso de amortecedores, os Estados Unidos passaram a produzir localmente e já não compravam mais; e este ano 80% dos mercados europeus serão abastecidos pela nova planta da Índia. “É um componente com margens baixas. É preciso ter custo muito competitivo”, diz.
Também não há grande expectativa em relação à Argentina, onde a Magneti Marelli só tem uma fábrica de escapamentos. Mesmo com as pressões do governo argentino para que sejam produzidas mais autopeças no país, Duarte acha difícil justificar novos investimentos. “A escala é pequena”, afirma.
“Estamos estudando a instalação de uma linha de pintura e montagem final de amortecedores, mas os volumes não justificam a fabricação do componente inteiro lá.” Como comparação, a Marelli produz hoje no Brasil 20 milhões de amortecedores por ano, ou metade da capacidade instalada de 40 milhões/ano no mundo todo e volume significativo dos 32 milhões de unidades produzidos pela empresa em 2012. Na Argentina, os 800 mil carros fabricados por ano no país consumiriam, no máximo, 3,2 milhões de amortecedores, em um mercado dividido ainda por dois outros concorrentes. O investimento, portanto, não é atrativo.
Assista abaixo a entrevista exclusiva de Edison Lino Duarte a ABTV: