
Até antes dos anos 2000, os automóveis brasileiros só podiam rodar somente com etanol ou apenas com gasolina no tanque. Só que o combustível derivado da cana-de-açúcar estava longe do auge.
Pelo contrário. O mercado ainda se ressentia da crise no fornecimento de álcool combustível do início dos anos 1990. E o aumento no custo fez com que a maioria dos clientes migrasse para a gasolina, fazendo com que as fabricantes praticamente deixassem de investir em novos projetos movidos a etanol.
Foi justamente nesta época de descrédito do combustível vegetal que uma turma de engenheiros da Bosch começou o que para muitos era uma aventura. A equipe pegou um Chevrolet Omega com motor 2.0 e colocou uma sonda dentro do tanque que identificava o combustível (ou a mistura) para poder rodar com gasolina ou etanol.
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Depois de 200 mil km e dois anos de testes, nasceu o primeiro protótipo de carro com motor flex da Bosch no Brasil, em 1994. A partir daí, fornecedores e montadoras se movimentaram na busca por aperfeiçoar o sistema que “daria poder de escolha ao consumidor”.
Ainda nos anos 1990, os engenheiros pereceberam que uma sonda posicionada na saída do escape era uma solução mais prática e viável em termos de custo. A partir dos gases expelidos pelo carro, o equipamento fazia a leitura – em fração de segundos – para “entender” a mistura de combustível e enviar as informação à central eletrônica de gerenciamento do motor.
O marco para essa tecnologia – e para o mercado automotivo brasileiro – foi em março de 2003. A Volkswagen lançou oficialmente o primeiro veículo bicombustível do país, o Gol Total Flex, em um sistema desenvolvido pela atual Marelli.

Desde então, a tecnologia caiu nas graças do mercado. Em 2008, mais de oito a cada 10 carros vendidos no país eram flex. Ao mesmo tempo, o sistema evoluía consideravelmente.
Uma das mudanças mais importantes aconteceu em 2009, quando a Bosch lançou a tecnologia Flex Start, que aquecia o combustível durante o processo de partida do motor (e após a partida também).
Entre as muitas vantagens do sistema, o fato de dispensar o reservatório de partida a frio – um tanquinho auxiliar no qual era necessário encher com gasolina de vez em quando. Novamente a Volkswagen foi quem largou na frente ao trazê-la no Polo, que ganhou o sobrenome comercial E-Flex.
Nos anos seguintes, os carros flex ganharam popularidade, dominaram o mercado e chegaram até aos automóveis importados.
Os novos rumos do flex: hibridização
Ao mesmo tempo, uma nova fase se inicia. Em 2019, a Toyota lançou a nova geração do Corolla com um inédito sistema híbrido-flex. Uma solução rumo à redução de emissões que já é desenvolvida e considerada por várias fabricantes no país e que pode significar um importante passo para o país rumo à descarbonização.
Nos 20 anos do flex, Automotive Business inicia uma série de reportagens sobre esses variados aspectos da tecnologia. Sua história, potencial e importância dentro do contexto da mobilidade eficiente do futuro.
Veja a seguir a linha do tempo com os principais acontecimentos da história do carro flex no Brasil:
O especial 20 anos do flex conta com o patrocínio de: 
