É importante entender que as causas do desequilíbrio da balança comercial da indústria brasileira de transformação do plástico transcendem à questão cambial. As flutuações da moeda, embora tenham certo impacto, não exercem influência tão acentuada no comércio exterior setorial como ocorre com outros segmentos. Tampouco, pode-se atribuir o problema à crise econômica mundial. O fator preponderante para o saldo negativo relaciona-se a questões estruturais, como a exagerada carga tributária e problemas do mercado interno.
Os números de 2009 demonstram, mais uma vez, a necessidade premente de se restabelecer o equilíbrio da indústria transformadora do plástico. Para isso, seria importante a adoção de medidas absolutamente viáveis, como a isonomia do IPI e aumento do prazo de recolhimento dos impostos, acesso mais amplo a financiamento e com o mesmo nível dos juros internacionais, de modo a suscitar a igualdade de preços com os praticados no Exterior. Apenas para lembrar: mesmo com a queda promovida pelo Copom, o juro real brasileiro continua sendo o mais elevado do mundo. Portanto, os problemas que afetam a balança comercial da indústria de plásticos antecedem a crise mundial.
Há um aspecto positivo no comércio exterior: a boa performance das exportações, cujo volume evidencia a qualidade crescente dos produtos brasileiros de plástico transformado. O setor, porém, tem imenso potencial no sentido de contribuir para o superávit da balança comercial brasileira, revertendo, a médio prazo, o déficit que tem experimentado. Ninguém, em especial as autoridades econômicas, deve resignar-se a um saldo comercial negativo perene de um dos ramos mais dinâmicos de nossa economia.
Assim, é preciso considerar com maior atenção as sugestões da indústria do plástico voltadas à ampliação de sua competitividade. Trata-se de um setor com faturamento total de R$ 40,2 bilhões (2009) e gerador de aproximadamente 300 mil empregos. É a sétima maior atividade da economia brasileira, com peso expressivo no PIB e influência em cascata na maioria dos segmentos indústrias e nos bens duráveis e de consumo, incluindo a indústria automobilística e a construção civil.
As perspectivas da indústria de transformação do plástico são otimistas para este ano, coerentes com as previsões de crescimento do PIB nacional, acima de 5%. No entanto, independentemente da consistência do setor, de seus bons resultados globais e crescimento, sua performance poderia ser ainda mais positiva com a solução dos problemas que o afetam e que se refletem, de modo mais acentuado, em sua balança comercial. Portanto, todo empenho deve ser feito para a remoção dos gargalos que limitam seu potencial de desenvolvimento.
*Merheg Cachum é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).