
Segundo ele, o mercado e as empresas se animaram com o crescimento de 7,5% registrado em 2010 e acreditaram que isso duraria para sempre. No momento atual, muitos afirmam que o crescimento de 2% veio para ficar, mas ele aposta no meio termo. “Acredito que o Brasil possível não é de 7,5% nem de 2%”, afirmou.
Durante sua apresentação, o economista afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,6% neste ano. Este comportamento mais tímido é natural diante do cenário mundial, e não pode ser atribuído às questões estruturais do País. “O Brasil cresce menor porque o mundo só nos permite isso”, disse. Para 2013, ele espera uma recuperação, com crescimento de 4,1%. Até o final de 2020, o crescimento médio deve ser de 3,9%.
Entre 2007 e 2011, o Brasil cresceu, em média, 4,2%. De acordo com Barros, os governos se apoiaram em quatro pilares nos últimos anos: crédito farto, políticas sociais generosas, câmbio valorizado e a carga tributária crescente. Apesar de terem impulsionado o crescimento do País, estes pilares estão esgotados. “O Brasil precisa de novos vetores dinâmicos de crescimento”, declarou.
Os novos paradigmas de crescimento são a busca por maior competitividade, menores gastos de custeio do governo, mais foco em investimentos públicos e privados. O economista também citou a necessidade de juros menores e melhores condições de financiamento, além de reformas de produtividade e eficiência. “Isto é um consenso, todos sabem que esta é a agenda do Brasil para os próximos anos.”
Segundo ele, o País terá um cenário difícil ainda em 2013, mas deve começar a construir esta agenda. Um dos desafios é o excesso de oferta de produtos manufaturados em todo o mundo. A ociosidade na indústria mundial de automóveis chega a 28 milhões de unidades, enquanto sobram 470 milhões de toneladas de aço. Esta ociosidade deve levar dois a três anos para se dissipar.
CENÁRIO GLOBAL
No front externo, a situação da economia é de desaceleração, mas não há riscos de ruptura sistêmica na área bancária ou do euro. O PIB mundial deve crescer 3% este ano, mas o comércio mundial deve apresentar crescimento próximo de zero. “Com raras exceções, como o Japão, os países terão crescimento menor do que em 2011”, afirmou. Mesmo assim, ele destacou que a visão dos economistas é de que o fundo do posso teria ocorrido no segundo trimestre de 2012.
Para a zona do Euro, a previsão é de queda de 0,5% do PIB neste ano; nos Estados Unidos, o PIB deve crescer 2%. A China, que é um grande comprador do Brasil, deve crescer 7,8% neste ano, ritmo menor do que registrado anteriormente. Até países como Hong Kong e Taiwan crescerão pouco, com taxas de 0,9% e 1,5%, respectivamente.