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Eletrificação no Brasil será mais lenta em relação ao mundo

Estudo da BCG aponta que investimentos em novas tecnologias dependem do aumento da demanda
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Ana Paula Machado

21 ago 2023

3 minutos de leitura

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O processo de eletrificação no mercado automotivo brasileiro deve ocorrer de forma mais lenta em relação ao resto do mundo. Segundo a pesquisa realizada junto pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindipeças junto aos fornecedores no país, o aumento dessas tecnologias ocorrerá com a evolução da demanda. 


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Segundo o estudo, 47% dos entrevistados disseram que aguardam uma demanda maior dos clientes para investir em tecnologias para veículos elétricos e híbridos. Já 20% das empresas afirmaram que já se adiantaram e aplicam recursos nestes sistemas.

Outros 14% informaram que têm projetos nesta linha para os próximos dois anos e 8% estão em discussão com a matriz ou investidores. Por fim, 3% disseram que não pretendem investir em tecnologias de eletrificação no Brasil. 

 

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O estudo foi realizado com 65 fornecedores que atuam no mercado brasileiro em todas as etapas de produção, desde o Tier 1 aos grandes sistemistas, com faturamento que varia de até R$ 100 milhões a acima de R$ 300 milhões. 

Fornecedores terão mais tempo para adaptar portfólio

Segundo o levantamento, o maior entrave para novos investimentos em tecnologias de eletrificação no Brasil é a demanda por este tipo de veículo, ainda mais lenta em comparação ao resto do mundo. 

A estimativa do mercado é de que, em 2035, 62% dos veículos comercializados no Brasil serão eletrificados, No mundo, entretanto, esse percentual ultrapassa os 90%. 

“Fornecedores no Brasil terão maior tempo para adaptar seu portfólio de produtos e capacidade produtiva local para atender novas tendências tecnológicas de veículos eletrificados. Entretanto, em virtude dos largos tempos de desenvolvimento do setor, cinco a dez anos, já existe a necessidade para tomada de decisões estratégicas”, afirmou, por comunicado, Juan Sanchez, sócio do BCG. 


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Segundo a pesquisa, no Brasil a transição deve ser mais gradual e com diferentes tecnologias convivendo nos próximos anos. O que vai gerar maior complexidade e mais tempo para a cadeia local se preparar.

Já globalmente, o setor passa por grande transformação impulsionada por tendências, em especial a eletrificação, exigindo que a base de fornecedores se adapte para atender novas demandas.  

Com isso, 83% dos entrevistados acreditam que o Brasil deve manter o foco em veículos a combustão, inclusive biocombustíveis. Somente 8% disseram que as empresas instaladas aqui devem continuar focadas no mercado de veículos flex e biocombustível, 5% afirmaram que o país deve seguir a tendência mundial de eletrificação e outros 5% que o Brasil terá os países desenvolvidos como referência, mas com alguns anos de defasagem. 

Brasil: base de exportação de componentes de veículos a combustão

A pesquisa mostra que 44% dos entrevistados acreditam que devem diversificar seus portfólios de produtos para cobrir novas tecologias de veículos eletrificados, e 13% afirmaram que pretendem manter o portfólio atual – mesmo que seu foco seja em motores de combustão tradicional.

“Previsibilidade da demanda, competitividade e capacidade de investimento são os principais desafios apontados pelos fornecedores para avançarem neste processo”, aponta a pesquisa. “Colaboração entre montadoras e fornecedores pode facilitar o processo de transição tecnológica e mitigar riscos.”

Segundo o levantamento, neste processo de eletrificação menos acelerado no Brasil, fornecedores podem explorar oportunidades de atuar como hub de exportação de componentes de veículos a combustão, enquanto demais regiões aceleram produção de eletrificados.