logo

elétricos

Eletromobilidade será regida por leis e pelo mercado

As questões ambientais têm ganhado relevância dentro das políticas internacionais, já que as grandes nações têm metas cada vez mais rígidas para reduzir as emissões de poluentes. País privilegiado em recursos naturais, o Brasil está longe de ser exemplo nas medidas em favor do meio ambiente se comparado com outras grandes nações, mas tem se esforçado em impor limites quando o assunto são os veículos a combustão.
Author image

Redação AB

24 jan 2020

4 minutos de leitura

Nesse cenário, e considerando o tamanho da frota circulante, mais de 100 milhões de veículos sobre rodas, segundo dados de 2018 do IBGE, a eletromobilidade se torna um tema essencial ao pensarmos em um futuro mais sustentável que se traduza em maior qualidade de vida, principalmente nos grandes centros urbanos.

De olho nessa tendência, o governo federal lançou o programa Rota 2030, que inclui várias diretrizes impostas ao segmento automobilístico para a próxima década, visando mais eficiência energética para motores movidos a combustíveis fósseis por meio de incentivos à produção de veículos elétricos e híbridos.

No próximo ano, outro importante passo pode ser dado para estimular a eletromobilidade no País. Tramita no Congresso um projeto de lei do Senado que visa a proibir gradualmente a venda de veículos a combustão para incentivar o aumento da frota de elétricos e híbridos. Apresentado em 2017, o documento pretende alterar a Lei de Redução de Emissão de Poluentes (lei nº 8.723), de 1993, e prega o fim da comercialização dos veículos movidos a diesel, álcool e gasolina até 2060.

Trata-se de uma proposta interessante para reforçar o uso de energia limpa no segmento, mas arrisco a dizer que esse limite pode ser reduzido para 2050 por causa da velocidade com que as inovações têm sido adotadas e pela característica do brasileiro de adotar de maneira rápida as novas tecnologias, tendo mais aderência às soluções vistas como disruptivas. Os dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) corroboram isso e apontam que o Brasil quintuplicou sua frota de carros elétricos e híbridos desde 2016.

Isso confirma que à frente de metas e diretrizes colocadas em documentos assinados em Brasília estão as necessidades e demandas do próprio mercado. E importantes projetos voltados à expansão da eletromobilidade têm ocorrido no País justamente para atender a essa procura.

Entre os exemplos está a iniciativa liderada pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, que deu origem a um consórcio modular para a fabricação, a partir deste ano, de caminhões elétricos voltados ao segmento de entregas urbanas. O projeto já nasce com um acordo com a Ambev para a entrega de 1,6 mil unidades para a fabricante de bebidas até 2023 e envolve, além da Siemens, outras grandes empresas.

Outro projeto, liderado pela distribuidora de energia EDP e apresentado ao mercado no fim de outubro, visa à instalação de 30 estações de recarga ultrarrápida ao longo das principais rodovias do Estado de São Paulo. Com investimento de mais de R$ 30 milhões, os equipamentos têm potência entre 150 e 350 quilowatts e são capazes de reabastecer até 80% da bateria de um veículo entre 25 e 30 minutos. Com essa nova rede serão 64 pontos de carregamento interligando São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba e Florianópolis com uma cobertura total de 2,5 mil km.

O projeto da EDP conta ainda com grandes montadoras e empresas especializadas em soluções de recarga, entre elas a Siemens. Com essas iniciativas já é possível ver estruturas para carregamento de veículos elétricos em shoppings, postos de gasolina, empresas, condomínios e em estacionamentos de estádios e arenas de eventos.

Apesar de estarem concentrados em locais privados, é questão de tempo para esses equipamentos se espalharem pelas vias públicas e o projeto liderado pela EDP vai neste sentido. Vale ressaltar ainda como impulso para essa tendência os benefícios da eletromobilidade que vão além da redução de poluentes na atmosfera.

O menor custo com a manutenção desses veículos e a ausência de ruído servirão de estímulo para os novos usuários. Segundo dados do Boston Consulting Group (BCG), os veículos elétricos vão representar 5% da frota brasileira até 2030, com vendas de 180 mil veículos ao ano.

O fato de o Brasil ter uma das maiores frotas de veículos do mundo, responsável a 39% das emissões totais de gases de efeito estufa no País em 2016 (segundo dados do Observatório do Clima divulgado em 2018), torna a eletromobilidade uma protagonista na defesa do meio ambiente nos próximos anos.

Medidas políticas e programas de incentivo serão importantes para nortear as atividades no setor em longo prazo, mas quem está ditando o ritmo da revolução é o próprio mercado.

Sérgio Jacobsen é vice-presidente da divisão smart infrastructure da Siemens Brasil