
Arnaldo Iezzi Jr., diretor geral da operação brasileira, não esconde que os estrangeiros também estão interessados em conhecer os sistemas de manufatura flexíveis adotados no Brasil. Ao lado do benchmark proporcionado aos visitantes, a BorgWarner pretende avaliar os novos cenários regionais e também dar sinal verde para a fabricação local de novos produtos.
Iezzi Jr. está interessado no segmento de caixas de transferência para sistemas de tração 4×4 utilizados em picapes e SUVs. “Estamos avaliando as melhores alternativas para oferecer o equipamento ao mercado local” — admite.
A operação brasileira faturou R$ 230 milhões em 2010, quando registrou um avanço de 15% sobre 2009. Da receita, 30% provêm do aftermarket e 10% das exportações. As vendas externas já forma significativamente maiores, da ordem de 25%, antes da crise internacional. A perda de mercados internos foi compensada com o aquecimento do mercado brasileiro. “Foi a parcela da capacidade instalada programada para as exportações que nos permitiu atender rapidamente o grande crescimento na demanda interna” — explicou Iezzi Jr.
O portifólio da BorWarner no País traz em destaque turbocompressores para o segmento de comerciais leves e veículos pesados. Além dessa linha, que corresponde a 80% da receita, há ventiladores e embreagens viscosas. A produção está concentrada na fábrica de Campinas, implantada em 1975 e única da marca na América do Sul.
A empresa anunciou recentemente investimento de R$ 20 milhões em três anos. O objetivo principal é o desenvolvimento de equipamentos para sistemas de pós-tratamento de powertrains Diesel, que deverão restringir significativamente as emissões de poluentes a partir de 2012 com a legislação do Proconve P7 (Euro 5).
Iezzi Jr. estima que os turbos produzidos em Campinas já superam 80% de componentes nacionais. A exceção são usinados de alta precisão e materiais especiais como titânio. No caso das caixas de transferência 4×4 a idéia é começar com CKD e avançar progressivamente com um programa de nacionalização.
Turbos & Thermal
A BorgWarner disputa palmo a palmo com a Honeywell (Garret) os fornecimentos locais de turbos para veículos comerciais, uma situação que se repete no mercado global. A marca está presente em 17 países, com 62 fábricas e matriz em Auburn Hills, Michigan, nos Estados Unidos.
A empresa possui duas unidades de negócios voltadas para motores Diesel junto à fábrica de Campinas: a Turbo Systems, para turbocompressores, e a Thermal Systems, de ventiladores e embreagens viscosas para arrefecimento.
Com capacidade instalada de 350 mil turbocompressores, a unidade fabril fornece turbocompressores para os segmentos de comerciais leves (picapes e vans) e pesados (caminhões médios, pesados, ônibus, microônibus e tratores). A planta industrial, de padrão tecnológico internacional, produz as linhas de turbocompressores K, S e B.
A divisão Thermal Systems, com capacidade instalada para 170 mil embreagens e para 85.000 ventiladores por ano, coloca no mercado nove modelos de ventiladores, com diâmetros de até 711 mm, e vários modelos de embreagens viscosas com aplicação em picapes e na linha completa de caminhões.
No Brasil os principais clientes da empresa são a Cummins, Ford, Iveco, Mercedes-Benz, MWM-International, Valtra e Volkswagen. Nos EUA fornece turbos para a International e John Deere. Também fornece para a John Deere na Argentina, Índia, França e México. Os negócios Intercompany da BorgWarner têm como destino a Alemanha, EUA e Inglaterra e atendem clientes de toda a América Latina no mercado de reposição.
Downsizing
Turbos pequenos e de alta eficiência são componentes de primeira linha no esforço de construir motores compactos com a performance de propulsores maiores. A tendência, acentuada na Europa, visa à oferta de powertrains mais adequados para veículos leves diante das rígidas leis de emissões.
“Os turbos ficarão cada vez mais sofisticados e submetidos a exigências crescentes” — define Iezzi Jr., lembrando que há uma busca por maior potência e redução do consumo e emissões. “O turbocompressor casa perfeitamente com os novos motores que resultam do processo de downsizing”, finaliza.
Fonte: Paulo Ricardo Braga, Automotive Business.