
A cadeia de valor automotiva foi o tema central das discussões do quarto dia do #ABPlanOn, jornada digital promovida por Automotive Business. Na quinta-feira, 27, as apresentações e entrevistas ao vivo para desenhar os possíveis cenários de 2021 contaram com a presença do presidente Anfavea, um vice-presidente da SAP, dois CEOs de fornecedores (Bosch e MWM Motores) e quatro executivos de compras da Mercedes-Benz, GM, Toyota e FCA.
Em quatro dias, as lives interativas já alcançaram 8 mil visualizações e a plataforma do evento on-line somou 81 mil acessos dos quase 4 mil inscritos, que até agora puderam baixar 70 arquivos de vídeos, podcasts, e-books, artigos, infográficos e estudos preparados com exclusividade para os participantes do #ABPlanOn. Até o fim da jornada, na sexta-feira, 28, o total de 100 arquivos estarão disponíveis para download pelos próximos dois meses – parte do material pode ser baixada gratuitamente e outra parte para aqueles que fizeram a inscrição premium de R$ 129,90.
O FUTURO DA COMPETITIVIDADE
O futuro da competitividade da indústria foi o tema da entrevista ao vivo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos instalados no Brasil. Moraes trouxe uma profunda análise sobre o cenário atual de toda a cadeia, o enfrentamento da pandemia e como a crise que veio com ela afetou os planos para melhorar a competitividade brasileira – que se já não era boa, tende a ficar um pouco pior.
Moraes citou um estudo encomendado pela Anfavea que comparou cinco montadoras de veículos que têm fábricas no Brasil e no México e que produzem modelos similares em ambos os países. A conclusão foi que o México tem competitividade 18% melhor que a do Brasil. “Aqui temos fábricas muito modernas, equivalentes às mais eficientes do mundo, o problema não é na indústria automotiva, é a estrutura do País; temos trabalhado constantemente em propostas para melhorar isso, mas claro que com a pandemia muita coisa parou e teremos de esperar mais”, ponderou.
Sobre as projeções de queda das vendas de veículos este ano, que a Anfavea projeta em 40%, o presidente da entidade reconhece que o resultado pode ser um pouco melhor, mas ainda assim é certo que será uma das piores retrações já vividas pelo setor no País.
“A queda poderá ser menor, de 35%, como foi no acumulado entre janeiro e julho; também poderá ser de 30%. Não estou preocupado se a queda será 30%, 35% ou 40%, o tombo é muito grande [de qualquer forma. Até outubro teremos a visão do todo, de como terá sido o impacto da pandemia no emprego, no fechamento de empresas etc. No quarto trimestre teremos uma noção melhor dos impactos na economia.” (Luiz Carlos Moraes, Anfavea)
Para o presidente da Anfavea, “2021 será um ano de crescimento bom, mas sobre uma base menor; o Brasil também cresce. Mas isso partindo do pressuposto de que a questão da saúde estará sob controle”. (veja aqui reportagem completa)
NOVAS PARCERIAS
O novo normal e as novas oportunidades de digitalização estão unindo cada vez mais a indústria automotiva “tradicional” às empresas dedicadas exclusivamente a novas tecnologias: juntas, estão construindo um novo mundo de soluções digitalizadas e gerando novos negócios. Essa foi a principal conclusão da entrevista ao vivo no #ABPlanOn com Maykon Fernandes, vice-presidente de core industries da SAP Brasil.
“A pandemia trouxe uma oportunidade de transformação para o digital, que já estava ocorrendo, mas com ela, alguns projetos foram retomados e outros claramente acelerados, tornando o setor automotivo mais resiliente, porque neste contexto de pandemia, a digitalização se tornou uma necessidade muito forte.” (Maykon Fernandes, SAP)
Para Fernandes, em 2021 a transformação digital da indústria seguirá com força, abrindo novas oportunidades de relacionamento entre empresas e consumidores. “Ferramentas digitais inteligentes vão além do veículo/produto, mas abrangem todo o ciclo de vida, desde a produção até o pós-venda: a montadora não vai terminar sua participação na vida do cliente com a produção e a entrega do carro, ela vai acompanhar o que vem depois disso e vai participar ativamente com novas soluções”, avalia.
A VISÃO DOS FORNECEDORES PARA O PÓS-PANDEMIA
Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch Latin America, e José Eduardo Luzzi, presidente da MWM Motores, apresentaram uma visão bastante otimista sobre o pós-pandemia e a superação da crise, que para eles, já está em curso (veja aqui reportagem completa).
“A maioria das empresas maximizou os impactos da pandemia, mas a indústria já está novamente ativada. Os números para setembro e outubro já estão melhores do que nossa estimativa projetada antes da pandemia. Já tínhamos feito um replanejamento para o ano em março e agora voltamos a fazê-lo com uma visão mais otimista. Temos um viés otimista, o Brasil tem fundamentos sólidos e positivos como juros muito baixos e inflação abaixo da meta. Os índices de confiança do comércio, indústria e consumidor estão subindo.” (José Eduardo Luzzi, MWM)
“2021 pode surpreender, gosto desse viés otimista, é o meu também. É preciso prestigiar nossa base de fornecedores e o emprego local. O Brasil tem uma base pronta, tem capacitação e isso prestigia o negócio local. Então, montadoras, coloquem seus pedidos, mesmo com o mercado menor, é a hora de prestigiar nossa base de fornecedores e o emprego local. Com essa mudança geopolítica que vai acontecer, a importação de autopeças vai ficar mais difícil; fazer o mais barato não vai ser tão simples.” (Besaliel Botelho, Bosch)
COMPRAS E O DESAFIO DA NACIONALIZAÇÃO
Celso Simomura, vice-presidente de compras da Toyota Latin America; Juliano Alex de Almeida, diretor de compras da FCA Latam; Rodrigo Godinho, diretor de compras da GM; e Silvia Simon, gerente sênior de compras da Mercedes-Benz do Brasil, participaram do painel que debateu as principais dificuldades encontradas pelos departamentos de compras das montadoras sob o impacto da pandemia de coronavírus, mas também elencou a superação de vários desafios ao longo dos últimos meses. Os convidados também falaram dos próximos passos e das expectativas para 2021 (veja aqui reportagem completa).
“A crise potencializou a situação difícil que alguns fornecedores já vinham apresentando antes da pandemia, que trouxe esse olhar e um acompanhamento mais próximo. Felizmente, não tivemos nenhum caso de fechamento de empresa.” (Juliano Almeida, FCA)
“Quando se tem esse tipo de dificuldade, a gente se une mais. Houve muita cooperação entre os tiers 2 e 3, que foram muito mais impactados. Alguns tier 1 ajudaram tier 2 e essa união nos permitiu passar esse momento sem grandes problemas e enfrentar de forma bastante sólida.” (Celso Simomura, Toyota)
“O câmbio nos afeta muito porque é custo na veia e tem uma permanência. Continua num patamar elevado e sem indicação de arrefecimento, com isso a localização volta a ser um ponto importante: nós da Mercedes estamos buscando trazer um plano efetivo de nacionalização, que já estava no radar, mas agora só foi reforçado, e trazer isso para o longo prazo faz diferença de impacto nos custos.” (Silvia Simon, Mercedes-Benz)
“A incerteza atual do cenário é uma situação delicada que gera receio para investimentos e com isso a localização (nacionalização de componentes) não está tão fácil. Precisa de um nível de produção mais sustentável” (Rodrigo Godinho, GM)
