
A eletrificação será mais lenta em veículos pesados no Brasil. Isso porque o país tem muitas alternativas de descarbonização, como o gás e o biocombustível. O que irá determinar qual tecnologia será adotada pelos transportadores e caminhoneiros é justamente a viabilidade econômica.
Essa foi a conclusão dos executivos que participaram do painel “Caminhões na tomada? As novas tecnologias e o futuro do mercado”, durante o Up Next Eletrificados, realizado por Automotive Business na penúltima semana de maio no Cinemark Cidade Jardim, em São Paulo (SP).
Para Paulo Moraes, vice-presidente de vendas e marketing da Scania, não é papel da montadora definir a tecnologia e “empurrar para o cliente”. “Temos que colocar o cliente no centro das decisões, entender as necessidades e vocações e isso passa pelas soluções de transporte, pontos de abastecimento e serviços de pós-vendas”, disse Moraes.
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Segundo ele, as tecnologias vão coexistir e para sair do uso do diesel fóssil para a eletrificação ainda há um caminho longo a se percorrer e é necessário um programa de renovação de frota para tirar de circulação veículos mais poluidores e mais antigos.
“Para o processo de descarbonização vamos usar a tecnologia da melhor forma. E quem vai definir qual será a mais utilizada é o cliente, o seu negócio.”
Alan Holzmann, diretor de estratégia e planejamento de produto caminhões da Volvo, disse que o Brasil tem alta competitividade no setor energético e qualquer uma das tecnologias tem “território para prosperar. Mas, o embarcador vai puxar a eletrificação. As grandes empresas têm metas mais ousadas de descarbonização”, afirmou o executivo. “E isso tudo irá passar por incentivos do governo para melhorar a escala de produção e a introdução das novas tecnologias.”
Carlos Fraga, diretor de marketing e desenvolvimento de rede da Iveco, também acredita que será o cliente quem vai determinar o ritmo da eletrificação em veículos pesados no Brasil. No entanto, para ele, a descarbonização antes da questão enérgica passa muito pela renovação de frota.
Renovação de frota para descarbonizar
Atualmente, rodam pelo país cerca de 3 milhões de caminhões, sendo 1 milhão de unidades usados por autônomos e outros 2 milhões por frotistas, com idades médias bem diferentes. “Não adianta ter um caminhão elétrico rodando em São Paulo e um outro emitindo muito mais CO2 nas estradas. Hoje, a idade média da nossa frota é de 20 anos. Por isso, antes da eletrificação é necessário um programa de renovação.”
Fábio Ferraresi, diretor de desenvolvimento de negócios da Power Systems Research, ressaltou, também, que o país vai conviver com tecnologias diversas no segmento de pesados e que a motorização a diesel ainda irá ser predominante no Brasil por um bom tempo.
“A massificação dos veículos eletrificados deve demorar para chegar ao mercado brasileiro. Por aqui, a diversidade estará cada vez mais presente. Isso não acontece na China, por exemplo. Por lá, as vendas de caminhões elétricos no ano passado somaram 38 mil unidades e os movidos a gás 153 mil veículos. Essas tecnologias já incomodam muito a indústria do diesel naquele país.”
