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2021

Em seu 1º ano, Stellantis multiplica lucro com a ajuda da América do Sul

Nem só de liderança de vendas a Stellantis pode se gabar na América do Sul. A companhia, que controla marcas como Fiat, Jeep e Peugeot, alcançou também resultados financeiros recordes em seu primeiro ano de história, conforme mostrou em apresentação a jornalistas e investidores na quarta-feira, 23. Os números levam em conta o histórico do Grupo PSA e da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), empresas que originaram o conglomerado, oficializado em janeiro de 2021.
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Giovanna Riato

23 fev 2022

4 minutos de leitura

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Globalmente, no ano passado a organização acelerou o lucro líquido em 179%, para € 13,2 bilhões em 2021. O resultado é ainda mais expressivo ao levar em conta o contexto pandêmico e de escassez de semicondutores, que afetou a produção de veículos em todo o mundo. O lucro operacional, aquele obtido só do negócio principal da Stellantis (ou seja, a produção de veículos), somou € 15,2 bilhões, em alta de 106%.

“O ano de 2021 foi pesado, com grandes desafios, mas conseguimos quase triplicar o lucro líquido, um resultado recorde. Ainda alcançamos € 6,2 bilhões de fluxo de caixa livre”, comemorou Carlos Tavares, CEO da Stellantis, durante apresentação.

O faturamento da empresa subiu 14% em 2021, para € 149,4 bilhões, com 6,14 milhões de veículos vendidos. As contas ficaram no azul em todas as grandes regiões, segundo indicou o balanço. Também houve crescimento nas vendas e resultados da maioria das 14 marcas do grupo.

Ano de desafios para a Stellantis

Na apresentação dos resultados, Tavares enfatizou três grandes desafios que a Stellantis enfrentou em 2021. O primeiro deles foi consolidar a compra da FCA pelo Grupo PSA logo em janeiro, com o ajuste do novo negócio, da cultura e da governança corporativa, a criação de comitês de administração e a nomeação de lideranças.

O segundo foco das preocupações da companhia no ano passado foram aqueles comuns a toda indústria automotiva. “A falta de semicondutores para fazer carros, a subida dos custos de produção por causa da pandemia e as metas apertadas de redução das emissões de poluentes em diversas regiões”, como contou o executivo.

Por fim, o terceiro grande trabalho da empresa em 2021 foi estabelecer a estratégia e as metas para o longo prazo. “Investimos muito tempo e força de trabalho para desenhar esse plano, que vamos apresentar na terça-feira, 1º de março.”

Segundo o CEO, nesse ritmo a companhia acelerou os resultados no segundo semestre e alcançou o ponto de equilíbrio do negócio, em que as receitas geradas sustentam a organização, sem a necessidade de investimentos externos.

“Cumprimos o nosso compromisso de gerar € 3,2 bilhões em sinergias após a compra da FCA, com otimização das fábricas e da cadeia de fornecedores. A criação de valor chegou a € 25 bilhões”, calcula o executivo.

América do Sul: lucro com mix de produtos e preços ajustados

Tavares comemorou a liderança da Stellantis na América do Sul, com crescimento de 48% para mais de 830 mil unidades e a Fiat como marca mais vendida no Brasil, resultado já destacado pelo chefe de operações da empresa na região, Antonio Filosa. Mas além do bom volume de emplacamentos, a empresa também garantiu que as contas ficassem no azul, apontou o CEO.

O faturamento na região aumentou 71% para € 10,7 bilhões por causa da relação cambial, expansão do volume de vendas e do mix de produtos. A companhia também dá crédito pelo resultado ao chamado pricing power, capacidade de elevar o preço dos produtos sem que isso afete a demanda. Segundo o balanço da Stellantis, a Jeep, líder em vendas de SUVs no Brasil, teve ajuste de preços maior do que a média do mercado, sem que isso reduzisse o interesse do consumidor.

O resultado operacional no continente chegou a € 882 milhões – um adicional de € 726 milhões sobre 2020. A expansão é reflexo, principalmente, do aumento do faturamento, que foi capaz de amenizar a elevação dos custos produtivos.

Depois dos bons resultados em 2021, a meta é seguir em expansão. Tavares estima novo crescimento de 3% nas vendas na América do Sul, puxado pelo mercado brasileiro. A meta global é manter a margem operacional de dois dígitos, fluxo de caixa positivo e seguir com a eletrificação e as parcerias com empresas de tecnologia. “Vamos acelerar a mudança do modelo de negócio de montadora para uma empresa automotiva de tecnologia”, resume o CEO.