
No início do mês, o executivo-chefe da EADS, Louis Gallois, disse que estava interessado no trabalho com a empresa brasileira. “Nós temos um grande respeito pela Embraer”, afirmou Gallois, acrescentando: “Estamos ansiosos em procurar formas de parceria.” Mas no último fim de semana, o executivo moderou seu comentário inicial, dizendo: “Não há nada acontecendo” no que diz respeito às discussões com a Embraer
A companhia brasileira está buscando novos produtos para expandir sua participação no mercado regional de jatos, disse Chiessi. O executivo reafirmou que a decisão pode ser anunciada até o final de ano.
Segundo ele, a Embraer colocou de lado por enquanto a ideia de produzir novas aeronaves turboprop movidas por motores de rotor aberto eficientes. Vários obstáculos técnicos, como questões de segurança e de ruído, ainda têm que ser superados antes que os motores de rotor aberto sejam adotados pelas companhias aéreas.
A ampliação do catálogo para incluir uma aeronave nova e maior, que competiria potencialmente com os aviões narrow-body (com um único corredor) da Airbus e da Boeing, também não é o foco principal da empresa, afirmou Chiessi
Em vez disso, segundo o executivo, a Embraer está buscando uma “evolução” da sua gama atual de jato regionais, agregando desenvolvimentos tecnológicos, como novos motores e uma nova asa, mas mantendo a mesma fuselagem.
Recuperação
A companhia prevê uma recuperação de suas entregas de aviões comerciais a partir de 2011 após dois anos de declínio devido à desaceleração econômica. “No ano que vem, nós veremos uma recuperação real das entregas”, afirmou Chiessi.
A taxa anual de entregas caiu para 120 no ano passado, de um pico de cerca de 160 em 2008, e será de cerca de 90 em 2010, destacou o executivo.
Ele prevê que as entregas poderão aumentar para entre 140 a 160 em 2012 e disse que está confiante que a Embraer será capaz de manter sua participação de mercado de cerca de 45% no segmento de aeronaves com entre 60 e 120 assentos.
Chiessi afirmou ainda que a Embraer está em conversações com as autoridades chinesas sobre a transformação de sua linha de montagem em Harbin, na China, que atualmente produz jatos ERJ 145, para fabricar aviões ERJ190.
Segundo o executivo, a companhia prevê que a demanda mundial por aviões comerciais de 30 a 120 assentos alcance em torno de US$ 225 bilhões nos próximos 20 anos.
Chiessi afirmou a jornalistas na sua apresentação que o potencial total das vendas de aeronaves em 20 anos poderá atingir aproximadamente 7 mil unidades, incluindo 2.895 aviões nos próximos 10 anos e 3.980 no último semestre do período previsto.
A demanda será parcialmente conduzida pela substituição de aeronaves antigas que estão sendo aposentadas e pela adoção pelas companhias aéreas de novas tecnologias, como motores mais eficientes, em seus esforços para reduzir os custos operacionais.
As informações são da Dow Jones.
Fonte: Clarissa Mangueira, Agência Estado.