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Emissões para baixo, alumínio para cima

Se as projeções da Novelis estiverem certas, o consumo mundial de alumínio para fabricação de veículos deve mais que dobrar até o fim desta década, para algo em torno de 1,2 mil toneladas/ano, e avançar mais 61% até 2025, para quase 2 mil toneladas/ano. O crescente interesse das montadoras pelo insumo está diretamente ligado ao aperto da legislação de redução de consumo de combustível e emissões de CO2, principalmente em países da Europa, América do Norte e Ásia, que leva à busca por diminuição de peso nos carros. “O alumínio é atualmente a solução mais barata para reduzir consumo”, destaca Todd Summe, diretor global de tecnologia automotiva da Novelis, maior fornecedor do metal para o setor atualmente, com mais de 50% de participação.
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pedro

11 out 2013

4 minutos de leitura

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Summe admite que, olhando só para o preço, o alumínio é mais caro do que o aço, mas ele lembra que deve-se olhar para o ciclo de vida completo do produto, incluindo aí a redução de consumo de combustível durante o tempo de vida do veículo no qual o metal foi aplicado. “De acordo com os mais recentes estudos do departamento de energia dos Estados Unidos, o alumínio representa diminuição em torno de 30% de consumo energético em relação ao aço, levando em conta todo o seu ciclo, da produção, uso e reciclagem”, afirma.

A produção de alumínio a partir de minério (bauxita) é intensiva em consumo de energia elétrica, mas este, segundo Summe, é o único ponto no qual o aço leva vantagem. Mesmo assim, essa diferença está caindo, por conta do crescimento da reciclagem, que reduz em 95% o consumo de eletricidade e emissões de CO2 na produção do metal para processamento. “Hoje somos o maior reciclador de alumínio do mundo e 50% do que produzimos vem de material reciclado, mas nossa meta é aumentar bastante este porcentual, para 80% até 2020”, diz, destacando que o número era 33% em 2010.

Com apenas um terço da densidade do aço, a leveza do alumínio está conquistando as montadoras, especialmente na Europa e Estados Unidos, tanto com a introdução de partes como tetos e capôs, como também na fabricação de carros inteiros de alumínio, com redução média de 32% no consumo e 29% nas emissões de CO2. O mais recente exemplo é o novo Land Rover Range Rover, primeiro SUV feito inteiramente com de alumínio, que ficou 180 quilos mais leve, 39% menos do que pesava a geração anterior construída em aço. “Estamos vendo o uso aumentar não só em carros de luxo, mas também em modelos de grande volume, como o Ford Fusion”, diz Summe.

O fornecimento para a indústria automotiva ainda representa só 6% dos negócios da Novelis, mas é de longe a fatia do bolo que mais cresce, em torno de 25% nos últimos 10 anos. No momento, já estão na carteira as principais marcas premium de automóveis do mundo, como BMW, Audi, Mercedes-Benz, Jaguar Land Rover, Ferrari, Volvo e Porsche, mas também estão chegando montadoras genéricas como Ford, General Motors, Chrysler e Hyundai.

A Novelis fornece o alumínio laminado em bobinas, para produção em maior escala, como também em placas já pré-cortadas a laser. Segundo Summe, a manufatura de carros em alumínio, incluindo estampagem de chapas, soldagem de carroceria e pintura, tem poucas diferenças em relação ao aço, ainda que vários processos tenham de ser especialmente adaptados para o metal. As chapas usadas normalmente têm de 1 a 2 milímetros de espessura, mas Summe explica que a tendência é de redução. “Atualmente gasto a maior parte do meu tempo com o desenvolvimento de novas ligas, para aumentar a resistência e flexibilidade do metal. Há muitas oportunidades de inovação nessa área”, diz.

BRASIL

Com o Inovar-Auto, o governo brasileiro também colocou metas de melhoria de eficiência energética dos veículos vendidos no País até 2017. De olho nessa demanda potencial criada pela legislação, a Novelis investiu US$ 340 milhões para ampliar a capacidade de produção de sua fábrica em Pindamonhangaba (SP) de 400 mil para 600 mil toneladas/ano (leia aqui). Embora já esteja recebendo consultas de possíveis clientes do setor automotivo (leia aqui), ainda não há nada concreto.

“Ainda é cedo para dizer o quanto a demanda por alumínio das montadoras pode aumentar no Brasil. Existe uma oportunidade para isso, mas ainda não sabemos o quanto o mercado está estimulado para isso”, avalia Summe. Uma possibilidade, segundo ele, é o início da importação de peças prontas de alumínio, para posterior localização.