A greve dos cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, não deve ter uma resolução rápida. Nesta segunda-feira, 9, a montadora insistiu em oferecer uma primeira parcela de R$ 4,6 mil como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que já tinha sido rejeitada em assembleia na quinta-feira passada, quando o movimento foi deflagrado. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba pede R$ 6 mil, mesmo valor acertado com a Renault, que fica no mesmo município. Em reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não houve avanço.
Depois de meia hora de tentativa de conversa, a desembargadora Rosemarie Diedrichs Pimpão concedeu prazo de cinco dias para que o sindicato apresente documentos e as razões para o valor que está pedindo. Após essa etapa, o processo será entregue ao Ministério Público do Trabalho e deve ser designado um relator para o dissídio pedido pela montadora. “Não é com satisfação que vejo essa intransigência de ambas as partes”, afirmou a desembargadora.
Uma cópia da entrevista do presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda, em que afirmou que “é melhor parar a fábrica do que pagar o que pedem”, foi entregue à desembargadora pelo advogado da empresa, Carlos Roberto Ribas Santiago, logo no início da audiência. “A preocupação é com o futuro, com o que pode acontecer amanhã”, justificou o advogado, ao insistir na proposta original da Volkswagen. “Gostaria que o sindicato revisse o posicionamento.”
O advogado do sindicato, Iraci da Silva Borges, não aceitou a sugestão e reclamou que a proposta aos trabalhadores paranaenses foi, inclusive, inferior à oferecida aos paulistas, que receberão R$ 5,2 mil. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, a produtividade dos trabalhadores do Paraná é 40% superior à de São Paulo e a mão de obra é mais barata no mesmo porcentual. “Reivindicamos uma equidade maior”, disse.
A desembargadora e o representante do Ministério Público, Alvacir Corrêa Santos, ainda tentaram convencer os representantes da empresa para que chegassem ao menos ao valor acordado em São Paulo para que as negociações pudessem avançar já no encontro de hoje, mas Santiago afirmou que mantinha a palavra do presidente publicada hoje no jornal. “Neste momento não tenho condições de dizer nada a respeito disso”, disse.
Os trabalhadores voltarão a se reunir em assembleia nesta terça-feira de manhã, mas a expectativa é que o movimento continue. “A empresa não está dando alternativa aos trabalhadores para buscar uma solução”, reclamou Butka. “Se houvesse um esforço de tentar buscar uma conciliação seria mais fácil.” De acordo com o sindicato, por dia deixam de ser fabricados 810 veículos das marcas Golf, Fox, Fox Exportação e Cross Fox.