Para o consultor Ayrton Fontes, economista e consultor independente de varejo automotivo, apesar de já terem passado dez dias do anúncio e implantação da redução do IPI, muito divulgada pelas campanhas publicitárias das montadoras na última semana, o que atraiu um grande número de consumidores nos feirões e nas revendas, o resultado esperado pelo governo, montadoras e concessionários ficou aquém do previsto.
“O movimento sinalizou claramente um cenário sombrio para os próximos meses”, destacou.
Fontes aponta que grande parte dos consumidores de classe média está com a renda comprometida por dívidas contraídas anteriormente. Somente as classes A e B têm condições de oferecer entrada de 50% em dinheiro ou por meio de um carro usado, o que para ele, deve limitar o aumento das vendas esperado após as medidas anunciadas.
A rigidez para liberação de crédito ainda deve imperar: “Os bancos e financeiras ainda estão com muito rigor em aprovar financiamentos de veículos em 60 meses ou com pequena entrada, o que manteve o mercado aquecido nos últimos três anos”.
O baixo preço dos carros usados oferecidos para a troca por um zero quilômetro também devem dificultar as negociações, estimou Fontes.
Na próxima terça-feira, 5, a Fenabrave divulgará os resultados oficiais do mercado para o mês de maio e para o período acumulado do ano.