
Em entrevista à Automotive Business, Jonker explica que o software foi idealizado pela própria equipe da Electude. Eles já tinham experiência desde a década de 1990, quando a empresa foi fundada pelos holandeses John Vlaar e Koen Berends, em oferecer livros sobre engenharia mecânica para universidades e empresas do setor, mas descobriram com o tempo que o método teórico não era eficaz. “Não chamava a atenção do estudante, estimulando-o a aprender”, relata.
Com o crescimento do mercado de ensino eletrônico, o grupo teve a ideia de elaborar o Argo, um conceito que fugia do tradicional “método decoreba” de educação e que impulsionaria os alunos a aprender fazendo, como em um jogo de videogame que gera curiosidade. Do papel para as telas do computador foram necessários oito anos, até que em 2007 a ferramenta já começava a ser usada na Holanda.
Poucos anos depois, ela foi exportada para outros países da Europa e traduzida para o inglês para alcançar os Estados Unidos. Atualmente, segundo o diretor, o software pode ser acessado em 24 línguas diferentes, atende cerca de 40 empresas de 30 países e já foi usado por mais de 100 mil estudantes. “Duplicamos o nosso negócio nos três últimos anos.”
Fabricantes de veículos como Ferrari, Mercedes-Benz, Nissan, Mitsubishi, Volvo e DAF utilizam o Argo, bem como universidades de engenharia automobilística, cursos de mecânica, mecatrônica e militares que precisam desenvolver automóveis e caminhões, como as Forças Armadas do Canadá e o Exército da China.
O Brasil ganha a tecnologia quase que ao mesmo tempo em que Índia e Tailândia. “O nosso foco é atender os países em desenvolvimento. Temos grande expectativa em relação ao Brasil por causa de sua concentração de grandes marcas do setor automotivo. Não há concorrentes globais oferecendo produtos similares no País. E os programas mais parecidos não são tão interativos quanto o nosso.”
DIVULGAÇÃO
Caberá à Systems Link International, divisão do ITMS Group – multinacional com sede nos Estados Unidos que oferece produtos e informações atualizadas para instituições de ensino e pesquisa, profissionais de saúde e engenheiros desde 2005 -, representar a Electude no País.
“A ferramenta chega ao Brasil este ano em um mercado superaquecido. E a Systems Link International será responsável por vender o software e treinar os clientes locais. Estamos analisando a possibilidade de oferecer por um mês o uso gratuito do Argo. Já tivemos interesse de clientes do Rio de Janeiro e de alguns Estados do sul do País”, diz Simone Cunha, gerente geral da Systems Link International.
Uma parceria que está quase fechada é com uma instituição de ensino nacional ligada à indústria. Simone não revela qual e nem quanto deve ser o valor envolvido na operação, mas diz que em breve poderá divulgar esse e novos clientes.
MÓDULOS
O Argo, acessado com login e senha fornecidos pela Electude, conta atualmente com mais de 400 módulos – dois a três são adicionados semanalmente com a ajuda de instituições e montadoras -, e tem quatro níveis de aprendizado, desde o primeiro, para iniciantes, até o quarto, destinado a especialistas em diagnóstico. “Pensamos em tecnologias básicas e também nas mais sofisticadas para que qualquer mecânico ou estudante pudesse manusear. Alguns desses módulos já estão disponíveis também para Ipad e Iphone”, afirma Jonker.
Os professores podem montar o curso de acordo com a necessidade do aluno, monitorar o tempo levado e o resultado de cada atividade, além de trocar mensagens na própria plataforma. Em todos os módulos, é possível encontrar imagens e animações. “Um dos destaques do Argo é o sistema de gestão do motor por meio da utilização de algoritmos de alta precisão. Com a ajuda de um leitor de código de falha, um multímetro e outras ferramentas, o usuário pode realizar inúmeras ações, como em um propulsor real”, explica o diretor.
Ainda segundo ele, são necessários no mínimo quatro anos para acessar todo o conteúdo do software, que pode apresentar mais de 2 mil defeitos veiculares. “Há muitos apaixonados por veículos que se interessariam pela ferramenta e até conseguiriam manuseá-la, mas o ideal é que que um professor ou mesmo o chefe acompanhe o seu desempenho.”
Veja mais sobre o Argo no vídeo abaixo: