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Da esquerda para a direita: Astor Milton Schmitt, diretor corporativo e de relações com investidores,
Daniel Randon, diretor presidente da Fras-le e David Abramo Randon, diretor-presidente da Randon
Sueli Reis, de Caxias do Sul, RS
As Empresas Randon esperam repetir em 2012 os bons resultados obtidos no ano passado quando o grupo apurou aumento em todos os indicadores, dos quais receitas bruta e líquida foram recordes. O grupo, responsável por um terço do mercado de implementos rodoviários no País, registrou alta de 6,4% na receita bruta em 2011 na comparação com o ano anterior, para R$ 6,4 bilhões, enquanto a receita líquida chegou a R$ 4,1 bilhões, o que significou aumento de 11,8% na mesma base de comparação. O resultado superou as expectativas da empresa, que projetou no início do ano passado receita bruta de R$ 5,9 bilhões e líquida em R$ 3,9 bilhões. Os números consolidados foram divulgados na terça-feira, 28, durante encontro com a imprensa em Caxias do Sul, RS.
A empresa atribui o bom desempenho ao momento favorável da economia, ao vigor do mercado interno de veículos comerciais pesados que no ano passado registrou aumento de 14% na produção sobre 2010 e o impulso do mercado de reposição. Segundo o diretor corporativo e de relações com investidores das Empresas Randon, Astor Schmitt, os resultados também foram favoráveis no exterior, cujos negócios geraram receita recorde de US$ 294,4 milhões, um crescimento de 22,5% sobre o ano anterior, o maior índice entre todos os indicadores do balanço.
“O que observamos em 2011 foi uma retomada das exportações, impulsionadas pelo reaquecimento dos Estados Unidos, que cresceram de forma notável, apesar de uma base de comparação muito baixa. Esperamos que o ritmo deste mercado permaneça neste ano.”
Os Estados Unidos foram a segunda região em importância na participação dos negócios da Randon, com fatia de 28%, atrás apenas de Mercosul e Chile, que representaram 45% dos negócios fora do Brasil. América do Sul e Central consumiram 52% dos produtos da empresa destinados à exportação. A África registrou 11% de participação e Europa, 3%.
SEGMENTOS
Dentre os nichos de mercado em que a Randon atua, a de veículos e implementos respondeu por 49,7% da receita líquida no exercício de 2011, dos quais veículos rebocados representaram 81%, enquanto veículos especiais (fora de estrada dedicados à construção e mineração) e vagões ferroviários alcançaram 10% e 9%, respectivamente. O mercado interno consumiu 59,4 mil veículos rebocados, volume estável se comparado com 2010. “A revisão dos subsídios existentes de 2010, com a aplicação de taxas de juros menos atrativas a partir do segundo trimestre de 2011 não arrefeceram as vendas”, observa Schmitt, que lembrou da importância da continuidade da isenção de IPI para o segmento até dezembro deste ano.
A divisão de autopeças, da qual participam as marcas Fras-le, Jost, Master, Suspensys e Castertech, representou 48,7% das vendas líquidas consolidadas em 2011, com receita de R$ 2 bilhões. Os serviços financeiros do grupo, que inclui o consórcio e o Banco Randon, somaram 1,4% dos negócios do ano passado.
INVESTIMENTOS E PERSPECTIVAS
Como parte do plano de superar os resultados obtidos em 2011, a Randon pretende investir R$ 400 milhões em expansão da capacidade produtiva e modernização de unidades. No aporte anunciado no início do ano (leia aqui) inclui a transferência de algumas linhas de montagem do complexo industrial de Caxias do Sul para pontos estratégicos a fim de aumentar os espaços para reaproveitamento nas instalações caxienses, como explica o diretor vice-presidente de operações, Erino Tonon.
Uma das operações, segundo o executivo, é a instalação da unidade fabril em Resende, RJ, dentro do complexo industrial da MAN Latin America, no parque de fornecedores. Por meio de sua empresa Suspensys, a Randon focará em usinagem, montagem de cubos de rodas e tambores, freios e montagem de kits de suspensão. O projeto receberá aporte na ordem de R$ 30 milhões mais a transferência dos ativos de Caxias do Sul para Resende. O terreno para a instalação será de 40 mil metros quadrados com 10 mil metros quadrados de área construída.
Outra operação de transferência será a da produção de semirreboques frigoríficos que passará para a fábrica da Folle Indústria de Implementos Rodoviários em Chapecó, SC, empresa adquirida pela Randon em outubro do ano passado. “Nossa intenção é produzir 1 mil unidades frigoríficas por ano quando Chapecó estiver em sua plena capacidade”, projeta Tonon. Atualmente, a Randon trabalha com produção mensal de 70 unidades/mês na planta caxiense e pretende iniciar em Chapecó com 15 unidades/mês.
Os esforços de 2012 serão concentrados, segundo Astor Schmitt, para igualar ou superar a maior parte dos índices obtidos no ano passado, com novos recordes em receita líquida, de R$ 4,2 bilhões, apoiada no mix de mercado; e em exportações, para a qual espera receita de US$ 330 milhões.
Astor Schmitt traça um cenário conservador, apesar da boa perspectiva para o ano. O executivo indica que a indústria de veículos comerciais pesados deve encolher em 2012, “algo como 10%, como apontam alguns players do mercado, para 189 mil unidades”, disse. Entre os segmentos de atuação, o de veículos comerciais deve ficar estável neste ano com até 65 mil unidades produzidas, estabilidade também esperada para o mercado de vagões. O destaque, aponta Schmitt, será a linha off-road, impulsionada pelos investimentos públicos em infraestrutura, este que deve ser o nicho de maior crescimento dentre os produtos oferecidos pela Randon. As exportações devem aumentar expressivamente, acredita o executivo, puxadas pelos EUA.
O diretor-presidente das Empresas Randon, David Randon, expressou que a empresa trabalhará para manter a média de crescimento da receita bruta de 17% nos últimos quinze anos e reforçou que espera repetir o volume de vendas de 2011 neste ano.