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Engenharia de novos rumos

Os fóruns e painéis de debate ganham importância cada vez maior nos Congressos anuais da SAE Brasil, ramo nacional da centenária Associação dos Engenheiros da Mobilidade, fundada nos EUA em 1905. A 17ª edição, realizada em São Paulo, na semana passada, destacou-se não apenas pelos 120 trabalhos técnicos de alto nível, apresentados também por conferencistas estrangeiros. Alguns dos painéis focaram o dia-a-dia dos motoristas.
O tráfego urbano esteve no centro das atenções. O consultor Celso Franco defendeu como possível solução, na mais congestionada capital do País, a sua idéia de utilização racional das vias. Trata-se da combinação do transporte solidário com uma espécie de pedágio urbano de baixo custo para os automóveis. Carlos Castilho, especialista em desenho automobilístico, falou sobre o futuro reservado aos carros de pequeno porte. Uma possibilidade está em veículos pequenos acopláveis em minicomboio. Seriam separáveis e tomariam diferentes rumos ao longo da jornada, reunindo-se no final do dia na volta para casa.
Discussão interessante foi sobre a viabilização de veículos de baixo custo no Brasil. O tema é importante e profundo, mas avançará pouco no Brasil enquanto não se aliviar o peso dos impostos. Luc de Ferran, consultor experiente, foi cético: governo teria que transferir a carga fiscal para outro ramo industrial.
No painel dos presidentes de grandes empresas, Gábor Deák, da Delphi, chamou a atenção que o Brasil, já em 2007, ultrapassou o Japão como maior produtor mundial de automóveis compactos (sem computar monovolumes). Ele aposta nesse segmento pela vocação, experiência, escala, competição interna e demanda reprimida. Jérome Stoll, da Renault, se disse surpreso pelo Brasil não possuir marca própria ao contrário de chineses, russos, coreanos e indianos. De fato, nenhuma das tentativas vingou, mas sempre existe esperança.
A área de exposições ampliada atraiu novas empresas, até do setor de duas rodas. Entre as atrações, o simulador da TRW reproduziu as novas tecnologias que vão do estacionamento quase automático ao cinto de segurança com auto-ajuste reversível em situações de risco. Visteon e 3M juntaram-se para exibir o carro do futuro com mais de 50 recursos, alguns pela primeira vez no Brasil. Em um país de clima quente, a película refletora solar da 3M pode se aplicar nos vidros sem perturbar a visibilidade, como ocorre com os tão disseminados filmes escurecidos além do que a lei permite. A Plascar investe em novas aplicações para os plásticos, inclusive em rodas de polímero compactado, mais leves e resistentes. A Fiat já se interessou, se homologadas pelos seus padrões.
Nos bastidores se notou que a tal aplicação diesel-gás praticamente saiu de cena, enquanto o sistema flex etanol-gasolina encontrou o primeiro cliente no exterior: a Bosch aplicará o seu nos motores de 1,6 e 1,8 litro da Nissan mexicana para o Tiida, Sentra (exportados para cá) e o futuro Livina nacional. E ficou o suspense: qual será o primeiro motor flex nacional com partida a frio sem gasolina, em 2009? Ninguém arriscou a resposta, mas os alemães parecem liderar as apostas.
Alta Roda nº 431
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13 de outubro de 2008.
RODA VIVA
PRIMEIROS motores V6 flex que equiparão produtos fabricados no Brasil serão da Mitsubishi, conforme informou a coluna há mais de um ano. Motores continuarão vindo do Japão e modificados aqui. L200 Triton e Pajero Sport vão receber a novidade em 2009. Estímulo de 5% no IPI (motores a álcool com mais de 2 litros) tornará o preço final interessante para o comprador.
EMPRESA catarinense TAC encontrou motor mais adequado para o peso (em torno de 2 t) de seu novo utilitário Stark de tração 4×4. Será um turbodiesel de 2,3 l/127 cv que a FPT produzirá aqui. O Stark (severo, em inglês; força, em alemão) tem estilo próprio e ousado. Estará à venda no final de 2009, na faixa de R$ 80.000,00, pouco abaixo do concorrente cearense Troller T4.
FOCUS sedã, com o novo câmbio automático, mostrou muita desenvoltura em uso urbano e silêncio de marcha em estrada. Nível de acabamento e qualidade dos materiais demonstram evolução notável, além do preço bastante competitivo (versão Ghia começa em R$ 70.000,00). Único incômodo é a má posição do anacrônico extintor de incêndio, obrigação esdrúxula no Brasil.
MODELOS importados sentiram o baque do dólar mais alto já em setembro. No atacado houve queda de 10% em relação a agosto, segundo a Abeiva. Passado o susto inicial, espera-se recuperação nesse último trimestre. Aparentemente cotação do dólar abaixo de R$ 2,00 – quando for possível ver cenário estável – será o divisor para melhores vendas no futuro.
CONFORME a coluna previu, Grupo Cerberus, controlador da Chrysler, quer entregar à GM essa marca (mais Dodge e Jeep) em troca dos restantes 49% no capital da GMAC, braço financeiro do fabricante. Quando o Cerberus adquiriu 51% da GMAC, há dois anos, era previsível essa barganha. Discussão emperra em valores envolvidos.
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cria

13 out 2008

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