logo

nordeste sudeste

Entenda a polêmica em torno dos regimes automotivos

Um dos grandes debates do setor automotivo no segundo semestre definitivamente é a prorrogação dos incentivos dos regimes regionais até 2032. O que surgiu na última década dos anos 1990 como ferramenta de industrialização se transformou nos últimos anos como fator de discórdia entre as montadoras instaladas no país.
Author image

Bruno de Oliveira

29 ago 2023

2 minutos de leitura

montadora.jpg

LEIA MAIS:
– Extensão dos incentivos às montadoras do Nordeste também chega ao Senado
– Nordeste contra-ataca e prepara ofensiva a favor do regime automotivo
– Para Fazenda, há barreiras para manutenção do regime automotivo do Nordeste


Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), os regimes viabilizaram até hoje, em créditos de IPI, cerca de R$ 50 bilhões para as empresas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os recursos beneficiaram à princípio operações de alguns fornecedores locais de montadoras instaladas no Sul e no Sudeste.

Mais tarde, pavimentaram a chegada de fabricantes de veículos, atraídas pelos benefícios fiscais. Primeiro, a Ford, que passou a produzir automóveis em Camaçari (BA). Anos depois, Caoa e HPE armaram suas linhas em Anápolis (GO) e Catalão (GO), respectivamente. Mais tarde, chegou a então FCA, hoje Stellantis, com a produção de modelos Fiat e Jeep no município de Goiana (PE).

É justamente a operação dessa montadora na região que causa um forte debate entre indústria, governo e opinião pública: com o fim da produção local da Ford, a Stellantis figurou como a grande beneficiária dos incentivos fiscais do regime automotivo, que foram sendo renovados ao longo dos anos pelo governo federal, provocando celeuma entre as montadores instaladas no Sul e no Sudeste.

O grupo Sul-Sudeste é favorável ao fim dos incentivos em 2025, atual prazo de vigência do regime automotivo. Defendem que a manutenção do benefício vai aumentar ainda mais uma alegada disparidade na competição entre as fabricantes. A Stellantis, por outro lado, defende a manutenção dos incentivos, alegando retorno social e atração de mais empresas para o Nordeste.

salvadorbahia.jpg
Afora o turismo, Nordeste brasileiro quer se firmar no cenário nacional como polo produtor de veículos (foto: Agência Brasil)

1. Todos os caminhos (fiscais) levam ao Nordeste

Em 1995 o país tinha ambições de atrair mais investimentos no setor automotivo, depois de período em que o mercado interno esteve com as portas abertas para os produtos importados. Surgiu nesse contexto o Regime Automotivo.

Foi então que, atraídas por incentivos fiscais, desembarcaram por aqui com produção local montadoras como Renault, Honda, PSA Peugeot Citroën e Mercedes-Benz. Além delas, as fabricantes já instaladas também acessaram aos benefícios e, assim, modernizaram as suas linhas.