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Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, fez questão de destacar que o primeiro aspecto em uma situação como esta é o humanitário. “Eu não esperava precisar falar sobre guerra nesse momento. Como um setor industrial, que defende escala de produção e mobilidade global, vemos esse tema com muita tristeza”, aponta. E prossegue:
“Mais do que a questão comercial, estamos preocupados com o aspecto humanitário, levando em conta que já são mais 1,5 milhão pessoas refugiadas”, diz.
Em relação aos negócios, o executivo destacou que é cedo para fazer projeções ou estimar números, já que é preciso “esperar um pouco mais para entender a dimensão e extensão da crise”. Segundo ele, as montadoras instaladas no Brasil têm feito um acompanhamento muito próximo de seus fornecedores, parceiros e matrizes para mapear os impactos.
“O setor automotivo é muito resiliente e fez um trabalho excepcional nos mais de dois anos de pandemia. Seguiremos dessa maneira, acompanhando de forma muito cautelosa o que acontece daqui para frente”, esclarece o presidente da Anfavea.
Moraes destaca quatro preocupações principais sobre como o conflito na Ucrânia pode impactar a indústria automotiva no Brasil. Veja a seguir.
1– Valorização das commodities
Segundo o executivo, a região da Rússia e da Ucrânia concentra grande oferta de itens intrinsecamente ligados ao setor automotivo, como petróleo, gás natural, aço e alumínio. Com o conflito, a oferta global desses itens pode cair, causando uma escalada dos preços (e dos custos para a indústria automotiva).
2– Escassez de semicondutores
A falta de chips eletrônicos para equipar veículos pode voltar a se agravar com o conflito. A escassez de componentes foi intensa em 2021 e, enfim, começava a melhorar. A guerra, no entanto, pode reverter essa tendência. “A região onde ocorre o conflito produz matérias-primas importantes para a fabricação de semicondutores”, lembra Moraes, citando paládio e gás neônio.
3– Riscos logísticos
A pandemia já deixou o ensinamento de que a logística global é sensível e pode sofrer com mudanças e rupturas repentinas. Em uma indústria global, que depende da importação de componentes, sistemas e até mesmos de produtos acabados, a guerra na Ucrânia tem potencial de trazer novos riscos. “O conflito pode impactar rotas marítimas e até mesmo aéreas, transporte que temos usado cada vez mais para superar os desafios da pandemia”, diz o executivo.
4- Alta da inflação e impacto no PIB
O contexto adverso é uma pressão adicional à escalada dos preços da economia. Moraes aponta ter “grande preocupação” que, para combater o movimento, o Banco Central brasileiro eleve demais a Selic, taxa básica de juros. Segundo ele, um movimento assim impactaria negativamente uma aguardada recuperação do mercado no segundo semestre.
O executivo diz que é preciso calibrar a taxa de juros com muita atenção, já que a desvalorização da moeda vem acontecendo de forma estrutural por causa da pandemia, não por um movimento de demanda elevada. “Precisamos ter muito cuidado para garantir que o PIB se desenvolva de forma aceitável em 2022”, alerta.
