Tal queda de juros tem sido possível em razão de os preços de produtos e serviços estarem sob controle, o que se reflete em inflação baixa. Com juros reduzidos, o crédito passa a ser mais atraente, o que estimula o consumo, que, por sua parte, exige maior produção e gera uma oferta maior de empregos.
Também devem ser lembrados, aqui, os esforços de todas as instâncias governamentais no intuito de estimular o consumo, além de preservar e promover a oferta de empregos, a partir da redução de alíquotas de tributos incidente sobre determinados setores da economia.
Importantes cadeias produtivas têm sido beneficiadas, como é o caso da indústria automobilística, o setor de eletrodomésticos e a área da construção civil. Estimulados, estes segmentos acabam formando um círculo virtuoso, em que a economia ganha força e movimenta setores inteiros que vinham sendo gravemente afetados pela crise.
Por enquanto, o Brasil ainda se beneficia de um fator positivo provocado pela crise, que é a valorização do dólar em relação ao real. Isso lembrando que, quando em setembro passado houve o estopim da atual turbulência, com a quebra do banco de investimentos Lehmann Brothers, a moeda norte-americana era negociada na casa do R$ 1,70. Além de não ter se refletido em alta da inflação, o dólar mais forte que o real continua servindo para estimular os exportadores brasileiros, que veem seus produtos tornarem-se mais competitivos no mercado internacional por propiciarem um melhor retorno financeiro nas trocas cambiais. Apesar da atual tendência de baixa do dólar, percebemos que o Banco Central brasileiro tem atuado no mercado para evitar grandes variações no câmbio.
Estas são algumas boas notícias que trazem mais alento à economia e permitem a nós, brasileiros, idealizarmos dias menos turbulentos à frente.
Apesar disso, é sempre importante lembrar que as empresas devem permanecer atentas e cautelosas, já que ainda não é possível descartar completamente um recrudescimento da crise. A máxima do navegante cuidadoso é sempre referência em um momento como o atual, pois a calmaria pode preceder uma terrível tempestade, que exigiria um hábil e atento timoneiro. Por isso, mais do que nunca, gerir os negócios com responsabilidade, planejamento, atenção ao fluxo de caixa e a eventuais riscos devem ser atitudes valorizadas e encampadas pelas empresas.
*Eduardo Pocetti é sócio-diretor e CEO da BDO Trevisan.