No olho do furacão da atual crise financeira e econômica mundial estão os fabricantes de Detroit. A consolidação mundial passa, obrigatoriamente, pelo destino das Três Grandes: General Motors, Ford e Chrysler. O debate nos EUA tem sido aberto, amplo, apaixonado e extrapolou as fronteiras do país. O tema, mais complexo que parece. Ainda há dúvidas sobre o peso dos fatores que levaram aos prejuízos acumulados.
Uns acreditam que erros estratégicos, produtos inadequados, distanciamento do mercado, má aplicação dos lucros do passado e presunção são as únicas explicações. Outros apontam altos benefícios sociais voluntários aos empregados, subsídios aos fabricantes orientais e europeus por parte de estados com mão-de-obra barata e obrigatoriamente não-sindicalizada, como fardos insuportáveis.
O que vai acontecer depois dos empréstimos à GM e Chrysler também divide estudiosos e analistas da indústria. Karl Ludvigsen, por exemplo, consagrado jornalista e historiador americano, com passagens pela GM, Fiat e Ford, acredita que a Chrysler apresenta mais chance de recuperação do que Ford e GM (na ordem). Outros como Bill Visnic, do Edmunds AutoObserver, apontam para o desaparecimento depois de vender para concorrentes a marca Jeep e os monovolumes rentáveis.
Rexford Parker, ex-diretor da consultoria Auto Pacific, opina de forma objetiva: “Imagino uma GM menor, apenas com Chevrolet, Cadillac, Buick (só na China), Opel, Holden, além de sua empresa de tecnologia. Assim, bem enxuta, pode continuar e até viver muito bem! Precisaria apenas de 1.500 concessionárias, para vender 2,5 milhões de veículos/ano nos EUA (caso da Toyota), em vez de 6.400. Empregando trabalhadores que custariam, incluindo benefícios, na faixa de US$ 45/hora (Toyota e Honda) e não mais US$ 70/hora.” Para ele, é razoável esperar que o grupo possa se estabilizar em um rentável terceiro ou quarto lugar no mundo, ao contrário de insistir em manter uma liderança inviável.
De que forma tudo isso se refletiria aqui? A menor das três, a Chrysler (mais Dodge e Jeep), possui presença pequena e apenas importando. A Ford, quarta colocada no ranking brasileiro, defende uma posição aproximadamente alinhada à participação mundial do grupo. Sua capacidade produtiva é menor e administrável.
Já a GM sofre pela superexposição de sua crise nos meios de comunicação e notícias sobre a ameaça de bancarrota. Sua cota de mercado no Brasil é bem maior do que a média mundial e vem sendo atingida nos últimos meses mais do que seus competidores. A recuperação pode depender da saúde financeira da matriz.
RODA VIVA
FABRICANTES que trabalham com estoques menores, como Toyota, praticamente limparam os pátios no final de 2008. Quando a fábrica de Indaiatuba voltar a produzir, na próxima semana, começará no mesmo ritmo de antes da crise, segundo fonte da marca japonesa. A Honda deve seguir pelo mesmo caminho.
PORSCHE, sob fiscalização da Dekra, fez um teste de consumo do 911, em estradas da Alemanha. Dirigido pelo jornalista Klaus Niedzwiedz, rodou 650 km e alcançou cerca de 15 km/l de gasolina, com velocidades entre 90 e 130 km/h. Realmente, um feito. Em concurso entre jornalistas, no autódromo de Fortaleza, o Mille Economy bateu os 27 km/l, sem velocidade média imposta. O 911, de 345 cv, é quase 5,5 vezes mais potente e 600 kg mais pesado…
SINALIZADOR de pontos de radares e pardais, Lince GPS, da empresa brasiliense Robotron, pode ser instalado em celulares HTC e navegadores Mio310/Quatro Rodas. A empresa aceita consultas para outras marcas de navegadores e celulares com GPS. Mais informações no site www.robotron.com.br.
SEGUNDO a Garrett, a combinação de turbocompressor e injeção direta de gasolina diminui o consumo de combustível entre 15% e 20%. O fabricante de turbos espera que as vendas mundiais de carros com esses recursos passem de menos de 3 milhões/ano, hoje, para 9 milhões/ano, em 2013. Triplicaria a demanda na Europa e sextuplicaria nos EUA e China.
FRANCESA Gemalto, que opera no Brasil, acredita que os novos microchips (SIM Card) de tecnologia M2M terão grande aplicação nas plataformas de comunicação de rastreadores. A partir de agosto, o Contran obrigará que todos os veículos, até 2010, saiam de fábricas com rastreadores na intenção de diminuir roubos. Caberá ao proprietário contratar ou não o serviço.